terça-feira, 2 de maio de 2017

um demorar-se sob teus olhos

Queria conseguir descrever a cor dos teus olhos. é que eles se despejam sobre mim de uma forma que me põe amolecida. Tu me amortece com olhos líquidos. Eu fico esperando essa água me esquentar de tu me olhar, enquanto tu te derramas entre minhas pernas, ávidas de te segurar.

Eles têm uma cor quente, esses teus olhos - que me comem, amam, despem, admiram, observam, entendem. Quando o sol lhes apanha eles ficam com nuances alaranjadas muito rápidas. O outono cai repentinamente sobre eles enquanto se demoram, pensativos, em lugar nenhum. Ao mesmo tempo, fazem cair folhas sobre tudo aquilo que sob eles se demora quando eles se demoram, sonhadores, aqui e ali.

Às vezes eu queria poder come-los, como eles fazem quando levanto minhas pernas nuas e distraídas na sua cama, quando estas nos pés dela, tirando ou colocando a tua roupa. Queria sentir essa cor escorrendo pelos meus dedos, colocando-os com delicadeza dentro de mim - meus olhos nos teus, a pele acidentada em arrepios - falanges embaladas pelos punhos livres. De gemidos brotar uma melodia que traduzisse tudo isso - cor, outono, amor, desejo -, pra desenhar em tatuagem funda o momento em que eu vejo teus olhos.

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