sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

no trânsito em transe

Presa no trânsito, na chuva
Fico imaginando as gotas caindo nas tuas costas bonitas.
Você deitado na grama,
A luz fria deixando tudo meio azulado,
E tuas costas, viradas para o céu como quem desafia deus,
Molhadas e arrepiadas do frio toque da água que corre e se esvai de tuas omoplatas, costelas e vértebras aparentes sob a pele.

Eu sentada, olhando as árvores.
Sentindo aquela cheiro de terra molhada, de chuva e de você,
Lindo e chapado no chão verde de algum lugar que imaginei.

A chuva tem esse poder, você vê,
De me transportar para lugares imaginários ou só meio esquecidos no fundo da minha mente.
Porque pensando bem, já estive nesse lugar antes - embora eu tenha certeza que você não.
Me ponho a cantarolar mentalmente alguma música que gostamos.
Não é tão difícil encontrar nossos gostos em comum.

Eu já tive pavor de escrever pra você.
Era difícil entender onde as palavras queriam ir.
Hoje em dia é fácil te acessar na minha cabeça e te colocar em linhas.
Acho que você me punha medo, mais que eu posso ter admitido.
E não é que eu não fique ainda apavorada de te ver toda vez que você abre a porta,
Ou que teu receio não me deixe preocupada.
Só não tenho mais vergonha de admitir que eu te acesso na minha mente quando preciso aquarelar meu dia.

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