quarta-feira, 19 de outubro de 2016

sobre ela

como na música profética,
eu senti sua falta quando você foi embora.
não posso ouvir a introdução que eu choro.
não é que lembrar de você me deixe triste, coisinha.
mas a nossa história é complicada, e eu queria tanto, tanto que você não estivesse assim tão longe.

queria poder descer do ônibus
andar atá a praia
molhar meus pés
voltar pra rua.
colocar os chinelos de novo,
os pés cheios de areia, o coração batendo acelerado.
andar até a tua casa, te chamar no portão.
e ver os teus olhinhos magrinhos de sorrir pra mim.

temos algumas músicas, não é?
e algumas luzes
coloridas, de natal, piscantes.
algumas que eu estraguei, inclusive.
não me desculpo.
suas cores todas, guardo elas no meu peito com carinho.
todas as suas expressões, e o formato dos teus dedos.

tuas unhas curtinhas
teu cabelo
e o cheiro, o teu cheiro eu ainda sinto
como isso é possível?
às vezes estou andando na rua e sinto teu cheiro
ou estou em casa, e lá vem ele, teu cheiro
uma coisa assim meio doce, meio venenosa

eu queria tanto, tanto, chegar aí a nado
queria tanto chegar aí de barco
mas eu não sei nadar
esse oceano de distância entre nós
essa coisa linda e trágica que sempre fomos
teus abraços e teu corpo pequeno
te fazer cócegas porque você não consegue evitar rir quando eu arranho suas costelas
tua risada
teu sotaque e o jeito como você me acha babaca

eu nunca te disse um monte de coisas
com essa minha mania de ser quieta
onde e quando não devo
e eu queria muito te colocar nas minhas mãos e te ninar
e assistir os teus filmes preferidos
nos embebedar e acordar rindo.

eu ainda lembro você lá
rindo
e teu cheiro
e tua pele
e teu rosto
e os olhos
e os seios
e a língua
e a boca pequena
e o sorriso
com a risada que se seguia
depois de chamar meu nome
depois de fingir que não liga.

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