sexta-feira, 14 de outubro de 2016

às vezes eu queria poder bater em vocês

Prólogo

A merda é que eu te amo.
E nem é que eu queria tua vida na minha.
É só que eu te gosto, mesmo.
Isso é demais?
Não é normal?
É só um amor em si mesmo!, nada mais, por que o medo?

Eu já sei como isso acaba.
Você some, do nada.
Exatamente como eu pedi, envergonhada,
pra você não fazer.
Você vai evanescer aos poucos
sem avisar
rarear
e então sumir.
Não vai me dar adeus.

E eu vou chorar.
Você vai se sentir mal, mas não tanto,
de saber que estou triste,
entregue à vida,
caída.
Amargurada e costurando novos sorrisos à minha cara branca.
(Você pode, por favor, não fazer isso?
Você pode, por favor, provar que estou errada,
e pelo menos me avisar?)

E eu avisei,
eu pedi com lágrimas nos olhos.
Eu cheguei mesmo a ser dramática,
uma criança de pelos raros,
e você disse que não ia a lugar algum.
É o que você diz pra si mesmo
quando foge de mim e se esquiva?,
Como se eu tivesse alguma pretensão de te prender?

Ou você nem se dá ao trabalho,
vis que são teus olhos,
de sequer lembrar de quem tanto te espera com paciência?
Ouvi um
- Te quero muito!,
e de muito me serve isso, quando me jogas no teu gelo fino
Onde tenho que andar suspensa
Sendo doce quando minha vontade é te maltratar até o talo.

Capítulo I

E enquanto ele vai se deixando levar,
Te sigo com os olhos.
Atentos, enquanto observo os teus, alheios
a minha análise silenciosa.
Você tem movimentos amplos
daqueles de pessoas que não têm consciência de si mesmas.
Você apenas se divertia,
e ria, ria, ria,
e eu ali, sofrendo, por uma coisa tão bonita.

E enquanto você sumia,
seus cabelos ondulando, ventando atrás de si,
eu ia relembrando os braços
os ombros altivos e a cara louca.
Prendia cada detalhe na memória
pra poder te imaginar no dia seguinte.
O despertar da minha face mais louca,
torta e descontrolara,
amante frustrada.
E no entanto nem um pouco arrependida.

Nas frações que meus olhos imensos
encontraram os teus, igualmente grandes,
parecia que eu te punha medo.
Você desviou de mim,
senti de longe e aceitei o gesto.
Assenti, imaginária,
e ao me voltar para o meu copo,
já sentia aquele poderoso tremor
de que algo poderia ter sido e não foi,
dando uma golada forte de gelo derretido e um pouco de álcool.

Epílogo

Por fim, novamente você aparece na minha tela azulada.
Apago a luz do quarto e você,
do outro lado da cidade,
novamente me manda um abraço.
Curte uma ou outra foto.

Sussurro que te amo,
sabendo que você jamais vai poder atender.
E assim, indiferente, você faz as coisas mais esquisitas
que alguém pode fazer
na rede social de alguém
com quem não conversa muito.

Não é como se eu quisesse voltar no tempo.
Não é como se eu quisesse que você corresse pra mim agora.
Não é "como poderia ter sido",
Ou "pare de ter uma namorada".
Não é que eu queria ser sua namorada.
Eu não quero ser uma namorada.
É que eu sinto que tem amor demais nas minhas mãos,
meus bolsos já estão cheios,
e eu preciso de mais amor pra carregar comigo,
mas onde enfiar?

E por mais sugestivo que isso soe
(e essa não é uma opção, caro leitor,
porque amor a gente não vai enfiando assim no corpo, a seco),
eu não vejo você e eu
unidos
corpos
almas
pelos
qualquer coisa assim meio quase suja, meio quase perfeita.
Só sei que vejo você.
E que em você me vejo.
E que, vez em quando, até invejo.

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