sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Do inconviver.

Às vezes me pego atenta a nossa interação online. Sua presença sempre sentida. E me pego relendo nossas conversas, como anos atrás, e sinto saudade, uma saudade gigante.

Fico pensando, será que algum dia teremos uma relação normal? Vou te chamar pra uma cerveja e seremos bons amigos conversando sobre progressivo. Vamos jogar sinuca, falharei miseravelmente na missão, você vai rir da minha cara, eu vou ficar constrangida, vou pedir uma cachaça, virar rapidamente, tomar coragem, e dar uma tacada decente e encaçapar uma bola. O mais difícil nessa historieta não é eu sair com você (pra isso era simples, eu te chamava e você aceitava). O mais difícil não é sairmos, o papo sobre música ou a cachaça - é eu acertar a bola, mesmo.

Depois disso a gente vai lá pra fora, eu vou fechar um cigarrinho de tabaco sete ervas, você vai ficar impressionado com o quanto ele é infinitamente mais delicioso que qualquer outro tabaco que já fumou, porque eu fiz em casa, e você vai me olhar com aquela cara de quem acabou de descobrir algo inesperado sobre mim, e sua expressão vai se transformar em quem-é-essa-pessoa-que-conheço-há-tantos-anos-e-segue-uma-estranha-para-mim?

Vou ignorar esse olhar, como tantas outras vezes já fiz, e seguirei fumando e brincando com a fumaça. Alguém vai passar, conversar comigo, tomar uma patada, e você vai ficar confuso. Vou rir muito, a pessoa também, e ela vai dizer: “Opa, Jonas, beleza?”, sair, não sem antes me servir cerveja, e você vai me observar enquanto eu falo um absurdo qualquer.

Você vai embora, e vamos seguir nossas vidas. Mas antes eu pararei você, e, ao invés de ficar quieta, segurando minha vontade de te dizer que sou sua amiga e amigos se vêem, serei sincera, “Podíamos fazer isso mais vezes”. E nós pararíamos de não fazer isso mais vezes, e seguiríamos sendo amigos de bar e praia, e não essa coisa atrofiada que, em dias brancos, me deixa angustiada.

Em dias brancos, eu me pego tentando lembrar de nós e fica uma saudade grande, porque, esquecida que sou, não tenho muitas memórias pra reviver - minha única saída pra nossa falta de convivência.

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