quarta-feira, 17 de agosto de 2016

adaptações de um diário em eterno (des)continuum

às vezes acho que "sou" demais
queria, às vezes, que fosse possível que alguém me roubasse de mim.
quantas vezes me peguei te olhando.
ali tentando entender que diabos
sem admitir.
pergunto-me se algum dia vai mesmo chegar a fazê-lo.
e em seguida pergunto-me se estou falando mesmo de você
ou se estou só me olhando no espelho.

tão bonito e tão triste
tanto que nem sei o que pensar
o quão estranha eu sou
por me imaginar chorando no teu abraço?

perguntei por quem
e entendi a estupidez da pergunta, sorrindo.
 no escuro você não viu.
sóbrio, você não lembra.
não faz mal, não faz mal.
o que eu sei é o que eu sei
e ninguém, nem mesmo você, precisa ficar sabendo.

e eu ali, perdoando aquelas pequenas coisas que na sua cabeça são falhas
você entende?
quando você me observava me vestir
eu queria poder ter registrado teus olhos
a forma como os depositou em mim
não sei o que queriam dizer
não sei o que querem dizer quando ficam assim

sei só que eles ficam em mim,
eu os sinto me fitando
mesmo com as costas viradas para você
vestindo minhas roupas
sem querer de fato ir embora

mesmo descendo a rua
o sol na minha cara
teus olhos ainda me seguem os movimentos.
eu caminhando aos tropeços
ainda sentindo teu cheiro
aquele olhar na minha pele
como se ainda estivesse
seminua na sua cama.

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