quinta-feira, 28 de abril de 2016

Tapa na cara

Você tem olhos maus.
Nunca tinha visto disso.
- Larga essa faca, Ana, pensa um pouco.
Você tem olhos que olham com tristeza e maldade
Que olham fundo dentro de mim e sabem exatamente quem eu sou.

Minha visão está um pouco turva.
Por que eu já me canso de você?
Em que ponto eu fico frustada com teus sinais?
Em que momento eu percebi que isso seria dispendioso?

Quando preciso acionar defesas?
É quando você me desvenda facilmente, abraçada a você na sua cama?
Ou quando mal e mal me abraça na despedida
e não sei se voltarei a vê-lo?
- Ana, você não quer fazer isso.
E o que eu quero?

Quero você dentro de mim até enjoar de mim mesma.
O que, sinceramente, pode acabar bem rápido.
De quanto tempo eu preciso para que a confusão comece a me irritar?
Você me deixa sem respostas e sobram as minhas incertezas.
Queria ter esperado até algo assim aparecer.
Eu não sei até que ponto estou projetando as coisas que Outro me fez.

Você tem olhos maus, eu já disse isso?
Que ótimo, agora estou chorando.
A faca na minha mão e você falando
qualquer coisa sobre não querer me machucar:
- Mas vou ter que usar a força com você!
Você não vê, querido?
O melhor que você poderia fazer agora
seria dar um tapa na minha cara.

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