terça-feira, 15 de dezembro de 2015

angústia ou o gozo suspenso

queria estar agora em seus braços
(o que é um eufemismo para:
gostaria de estar de quatro pra você
levando uns tapas ou te chupando até você
implorar pelo amor de deus que eu pare)

lamber a pele nua
teus pelos
retrato teu de corpo inteiro
só teu sorriso pela tela fria não me satisfaz
(ou abraços roubados corredores e bares afora)
quantas gotas embriagáveis serão necessárias até eu
alcançar teus sentidos com meus gemidos?

a mente entra em parafuso
e eu entro na paranoia
quem sou eu perto das tantas outras que te querem
resquícios de inseguranças antigas
de saber que existem tantas mulheres interessantes no mundo, para você.
mas nenhuma delas vai sentir como eu sinto

porque eu tenho essa coisa, você vê?
desde muito cedo.
Essa angústia
pela carne
pelo suor e pelo sangue
pela dor das mordidas
dos arranhões
de tanto arfar
de sufocar o gozo e os gemidos
de morrer.

violenta
ou antes um querer que sejas violento.
transpassando e ignorando meu eu tal como eu ignorarei quem és
quando nossas roupas sumirem e entrarmos em combustão
dois corpos, apenas
ligados pela perversão incorruptível
pela preferência compatível pelas coisas as mais sujas possíveis.

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