terça-feira, 15 de dezembro de 2015

angústia ou o gozo suspenso

queria estar agora em seus braços
(o que é um eufemismo para:
gostaria de estar de quatro pra você
levando uns tapas ou te chupando até você
implorar pelo amor de deus que eu pare)

lamber a pele nua
teus pelos
retrato teu de corpo inteiro
só teu sorriso pela tela fria não me satisfaz
(ou abraços roubados corredores e bares afora)
quantas gotas embriagáveis serão necessárias até eu
alcançar teus sentidos com meus gemidos?

a mente entra em parafuso
e eu entro na paranoia
quem sou eu perto das tantas outras que te querem
resquícios de inseguranças antigas
de saber que existem tantas mulheres interessantes no mundo, para você.
mas nenhuma delas vai sentir como eu sinto

porque eu tenho essa coisa, você vê?
desde muito cedo.
Essa angústia
pela carne
pelo suor e pelo sangue
pela dor das mordidas
dos arranhões
de tanto arfar
de sufocar o gozo e os gemidos
de morrer.

violenta
ou antes um querer que sejas violento.
transpassando e ignorando meu eu tal como eu ignorarei quem és
quando nossas roupas sumirem e entrarmos em combustão
dois corpos, apenas
ligados pela perversão incorruptível
pela preferência compatível pelas coisas as mais sujas possíveis.

domingo, 13 de dezembro de 2015

ferro de passar

Estou tão cansada nesse momento
ser mulher
estar no mundo
ter que viver
ter que
tudo
ter que ser algo
alguém
corrói
pesa meus ombros

você fica longe e eu não sei o que fazer
tento aproximações tímidas
então me sinto ridícula
pareço uma criança idiota que sabe que vai se queimar
toca no ferro de passar quente
retira a mão rápido e chora
de dor e por ser burra

não, não é a descoberta
não é o aprendizado
é a decepção
a frustração
é a primeira coisa que vem na minha cabeça

se você estiver me vendo
e se sente alguma coisa
por que
por que não vem até mim?
se você realmente sente, do que você tem medo?
eu acho que você não sente nada
meus amigos dizem que estou enganada
então se você sente
por que não vem até mim?

estou aqui, não vê?
sofrendo essa doença chamada vida
eu me sinto ridícula
(encostei a mão no ferro de passar de novo!)
eu me sinto como quando tinha três anos
e minha avó tentou colocar pasta de dente
no meu dedinho queimado
a diferença é que minha avó está morta agora

oh, me ajude.
por favor, não fique com medo agora
porque eu não consigo lidar com minhas próprias fobias
estou deitada no escuro sem conseguir entender
paralisada
quando o dia vem eu fico mais assustada

e você é só mais um dos meus problemas
e não deveria ser
o que está acontecendo comigo?
estou tão cansada nesse momento
de ser mulher.
de ser
de ter que estar
sorrindo.