domingo, 29 de novembro de 2015

Todo dia.

Abrir os olhos, acordar
colocar os pés fora da cama
voltar a deitar.
Repetidamente, em poucas horas,
fica mais difícil a cada minuto.
Sei que eu deveria respirar fundo, abrir as cortinas
um pouco de água no rosto, talvez?

Travesseiro.
Desenhos na parede.
Passos nos outros cômodos da casa.
Intrusos da minha eterna contemplação.
Necessidade de observar.

Todo dia.
Repetidamente.
Por horas a mesma sensação.
Anos passam.
A sensação só aumenta.
Não vou sair. Não vai ajudar.
É difícil se divertir.

"Pense positivo".
"Saia um pouco de casa".
Acabar com tudo não é uma possibilidade?
Destruir o que mais amo não é uma possibilidade?
Todo dia.

sábado, 7 de novembro de 2015

Carolina

Conheço uma Carolina
Que às vezes parece filha
às vezes ela é irmã
às vezes me põe no colo
me adota e faz vezes de mãe.

Essa minha Carolina
Tem olhos pequenininhos
A risada é esquisita
Quando ri ela toda se agita
E parece criança que quebrou copo e saiu correndo.

Às vezes Carolina fica triste
Pouca gente imagina
É que essa minha Carolina
É menina forte e aparecida
Mas o peso do mundo às vezes afeta a Carolina.

Mas, ô, Carol, não fique triste!
Porque às vezes, minha irmã-mãe-e-filha,
A gente vai chorar e pensar que o mundo está perdido
Mas os teus cabelos de Deusa do Sol ainda continuarão brilhando de manhã.