sábado, 29 de agosto de 2015

umbrais longínquos

alguns de nós estão fadados ao desespero
creio que o fim não seja algo confortável para nenhum
egocêntrico, humano, mesquinho.

não creio nos fins como um problema.
depois do fim é que nos resta a pior sensação.
quando morre algo ou alguém o momento pode passar mesmo despercebido.
mas internalizar o fim não é processo fácil.

como sobreviver ao limbo?
esse momento do ciclo entre o fim e o novo começo?
quando não se avista o umbral
quando não se pode atravessar a bruma
sempre tem algo te puxando, puxando, puxando...

ouço ecos
sinto ar úmido
quero gritar
alguém para ouvir?
dificilmente.

sempre professo que estamos sozinhos
eu estou sozinha
sempre estive e sempre estarei.
se eu quero?
eu gosto. suporto.
é por saber que não há nada que possa me fazer atravessar
a não ser eu.

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