quarta-feira, 29 de abril de 2015

riacho azul e prata

tenho acordado há semanas sem vontade de levantar
eu só queria ensinar história pra algumas crianças
não ver colegas de trabalho apanhando e levando tiro da polícia
pensando
"podia ser eu"

 deixem a gente ensinar.
já é bem difícil
com nossos salários
com vocês nos apedrejando quando pedimos melhores condições
fica pior ainda.

 dá vontade de desistir

dá vontade de nunca ter existido
dentre as tantas outras coisas que me fazem sentir assim

 o mundo não me quer vivendo nele
não é possível que se espere que eu queira viver nele.
só quero dormir, dormir, dormir...

você não me quer mais na sua vida
não posso dizer que estou triste
não posso dizer que estou contente
não posso dizer que não percebi
não posso dizer nada.

eu não quero mais
eu não quero mais
eu não quero mais
eu quero sair daqui
eu quero viver trancada no meu quarto
o mundo é ruim
as pessoas são ruins
eu não tenho esperança
eu preciso ter esperança
eu não consigo ter esperança
desde muito nova eu afoguei a esperança num riacho azul e prata.

não há estrada à frente
não há flores nem sorrisos
não há
não

eu queria apenas poder ler e escrever minhas letras em paz

sexta-feira, 24 de abril de 2015

o cortar dos fios

estou contando nos dedos as farpas
que atiras assim como sem querer
a raiva se acumula
mãe das mudanças

a um passo de perder qualquer resquício
as cartas falam em cortar os fios
fundo na minha alma sinto que já passa da hora de fazê-lo.

frases e termos repetidos para pessoas diferentes
não é assim que se trata uma lady.
a vontade é grande de assistir-lhe afundar

sinto-me destemperada e nem um pouco paciente
sinto-me velha e encarquilhada
sem paciência e sem freios na língua
sinto-me cheia

todas as manipulações de que dispunhas evanesceram
uns dias atrás, como um clique, desativadas
é tão bom estar sozinha sem ninguém a confundir meus pensamentos

as coisas com as quais você não se importa ou faz questão de mostrar
me cansam e eu me sinto esgotada.
está acabado.