segunda-feira, 14 de abril de 2014

De raposas e cristais

Acordei com raposas ganindo
elas mastigavam um coração de cristal.
Pedi que se afastassem e vi que o coração era seu.

Com os farelos fiz um colar de contas e te presenteei com ele no seu sono.
Você dormia com o senho franzido,
 e então suspirou
e se encolheu dormindo com um sorriso.

 As raposas voltaram para a carruagem celeste que puxavam;
afivelei suas amarras.
Ordenei que partissem sem mim.

 - O dono do astuto coração leva consigo a pele da raposa.
A raposa guarda a pedra preciosa.
E a pedra será mastigada a cada outono para proteger o consorte. 

Era uma manhã rosada e tudo ficou laranja.
Acordei com frio e a janela estava aberta.
Havia pelo laranja no tapete do quarto,
e ao meu lado um homem sorridente me via dormir.