domingo, 27 de outubro de 2013

pia dos desprazeres

Eu e meu corpo de Simone de Beauvoir
eu e meus anseios tão difíceis de alcançar
fico ouvindo músicas que me inspiram mas não faço nada por elas
é difícil ser estrela do meu próprio sistema solar
que se foda.

tenho vergonha da minha não violência
acho que deveria ser mais abusiva
na minha mente eu o sou, o tempo todo
as palavras não contam, não adianta você querer me dizer o contrário

o silêncio é tão precioso e eu me canso de falar
não é brabeza ou mau humor
é necessidade de calar
de estancar esse fluxo que por tanto tempo me afogou
agora não falo se não sou solicitada por minha alma

ó, os anjos, anjos, anjos, gaiolas, asas, ó.
caindo e queimando na queda
todo meteoro é uma célula incendiária.
todo asteróide é uma célula de anjo purificada na atmosfera terrestre
tão podre quando iogurte esquecido no calor do semi-árido

e que peste negra de fome
e de terror se assola
a todo o tempo num lugar
novo que não conhecia até ontem

e quando os tétricos jogos são despidos de violência eles perdem a graça
você ri da ficção e agradece por isso não existir
mas isso bate na sua porta toda vez que se anuncia lutas de UFC
que se foda você, você, e você.
e pronto.
a pia me espera.


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