domingo, 23 de setembro de 2012

Te dou Selany como amuleto

O poeta treme
e é normal que ele, menino que não quer crescer
tema
porque meninos sentem medo.

Como se houvesse algum Dragão debaixo da cama, ele se encolhe,
gritando ao mundo que é São Jorge,
com a espada de madeira a transformar-se no melhor aço,
ele toma coragem, infla o peito.

Ataca as Melancolias e espanca a Agonia.
Só que a Agonia é como um espelho,
e o menino fica com cortes nas mãos.

O sangue goteja, e o Dragão fareja.
E todos os sonhos bons e as cores derretem
e ficam cinza, como o céu dos dias de preguiça.
O peso do metal que lhe veste tira a vontade.
O menino já não tem tanta certeza se quer usar armadura.

Aparece, pois, a Musa.
Que não é fria aos versos, e os escreve de volta.
Com as cores do céu-da-noite, branco e azul brilhantes,
eis que ela sorri, para que o menino não tenha medo.
E eis que o menino se lembra de ser poeta.

Sorrindo, a Musa se aproxima do menino.
Com lágrimas nos olhos e poemas nas mãos,
faz com que o Dragão se aquiete.
O monstro volta para debaixo da cama,
onde deita-se a mulher - agora nua.

O menino volta a ser O Poeta.
A Musa fala pra ele, já despido de armadura:
- Ao Poeta eu ofereço
a proteção da Deusa da Lua.