domingo, 19 de agosto de 2012

O Anel

A noite se fez quente, e logo começou a se esvair.
Em cantos de passarinhos que nos queriam ver correr para casa
pra nos proteger da luz do sol que ameaçava já nos banhar.
Caminhávamos enfim na rua esgotados e felizes de tanta gente.
Minha mão direita pesava com um fino anel de lata.
A imitação de alguma pedra alaranjada parecia ofuscar-me os olhos
enquanto ao meu lado recitavas um poema que lhe vinha cabeça
criando ali mesmo na calçada uma ode ao nosso amor
enquanto caminhávamos sobre o cimento frio.
Os versos ecoavam as promessas da noite
sussurradas ao pé do ouvido enquanto toda a gente passava e olhava.
Fumaça de cigarros, gelo pra esfriar a cerveja.
Quantas pessoas sujas de pó de fadas, brilhando e rindo neste lugar!
Observando o anel que conseguiste
um prêmio alcoólico da noite a mais para seu corpo ébrio
e seus braços me puxam pra fora, e ali, nos degraus da porta dos fundos
só falta o último passo.

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