sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Bem me leve

Ora, ora, o poeta também teme!
Eis que eu cavalgo nos sonhos -
porque deus me livre um bicho daquele tamanho! -
e com um manto de terror te cubro.
Trancei num tear desejo, medo e paixão.

Nossos temores que se entrelaçam e nos protegem
e eis que surge o tal do amor.
Ele se aconchega sobre os lençóis
como saliva produzida por boca ávida.
Eis aqui, senhores, sabores doces.

Crio imagens na minha cabeça
pra esse poema foram mil.
Queria tatuar tudo o que és pra mim,
um desenho completo, complexo,
algo como traços de criança e ares de mulher.

As longas faixas de areia das praias que fomos e que iremos;
as longas faixas de poeira de estrelas,
e eis que surge o futuro com tanta luz que não se pode vê-lo.
As vozes todas ouvidas e as solidões, esquecidas.
Ainda que haja medo ainda.

São anéis nos dedos,
cristais e relicários nos pescoços
e versos demais pra se deixar levar
por outra coisa que não seja esse poema
e as marcas das nossas peles.

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