sábado, 21 de julho de 2012

Janela

Dia claro põe o sol em cima d'água
joga sobre ela os raios suaves do sol da manhãzinha.
Devagar, a água, como janela,
iluminará o quarto.
A superfície da cama banhada em calor
transparente, brilhando com a luz 
onde pousam dois corpos, nus,
e a leve brisa que passa pela água
levanta os pelos da superfície branca e macia que jaz sobre os lençóis.
Ele acorda primeiro, embora,
no meio da noite,
várias vezes ela tenha acordado para observá-lo dormir
(no sono, as expressões dele somem
mas vez ou outra, um sorriso se esboça em seus lábios,
tênue, como nuvens reviradas pelo vento num céu de sol-se-por).
Quando acorda, observa-a.
E vê os olhos grandes repousando,
os cílios curtos com resquícios de maquiagem,
a cara de criança, os traços abobalhados do sono.
Como se parte de sua consciência sentisse o olhar nela pairando
mais o seu corpo que sente os raios do sol passando pela janela.
Ela sonhara que o vidro era água.
Acordou com ele observando
e instantaneamente sorriu a maior felicidade de sua vida.
O coração falhou como caixinha de música que precisasse de corda,
mas logo voltou a tocar sua música rápida e aguda.
Olhou pra ele de volta, com o mesmo olhar estupidamente apaixonado
e pareceram, por segundos, irmãos
(na verdade, sentia que já o tinham sido).
Vestiu a ambos com o cobertor
e ali, sob o sol que espiava pela janela,
abraçou-o como se ele pudesse lhe escapar, como água nas mãos em concha.
Com os olhos fechados, inspirou o ar sobre a pele do pescoço dele.
Abriu novamente as pestanas e, para seu alívio, ele ainda estava lá,
lindo.




- Eu planejava escrever sobre um gigante e uma montanha, mas olhe que rumo tomei...



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