terça-feira, 12 de junho de 2012

A prisão de Choro

Alguns lugares são de chorar.
Às vezes é a hora.
E em alguns tempos as lágrimas acertam tempo e lugar.

Essa santa trindade chama-se Choro.
Ela abençoa nas horas mais desesperadas
mas também nas mais bonitas.

(E às vezes, as horas mais desesperadas são as mais bonitas,
como quando aquele dia em que eu senti tua tristeza e corri pro teu abraço
desesperada, coração batendo
da mesma forma que ele bate quando eu, desesperada, cravo minhas unhas nas tuas costas.)

Suspirei o meu Choro e chamei-o sinfonia.
Toquei sua melodia dentro de meu cérebro e deixei-a fluir
lá dentro, escondida.

Fora, o vácuo.
Choro sentiu-se sufocado.
Sufoquei-o mais.

Tomo banhos desse Choro quando estou perto de casa.
Quando estou nela.
E então Choro corre solto, como menino perto do rio.

Fácil deixá-lo ir, livre.
Dói prendê-lo.
Porque quando eu o prendo é quando estou presa.

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