quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Lugar onde tenho que conviver com as pessoas que mais odeio.

Estou me imaginando olhando pro mar.
Eu sempre falo dele embora morra de medo de me afogar.
Acho que o medo acaba nos atraindo.
Mas só um pouco.

Eu queria não ter medo de deixar fluírem as palavras da minha boca.
Quando elas saem dos dedos é tão mais fácil
Elas não machucam assim.
Quando eu falo elas cortam minha garganta.

Por que eu não consigo parar de chorar?
Está tudo bem, não está? Está?
O que está acontecendo com as plantas ao meu redor?
Elas não deveriam murchar se não estou no mundo.

Sinto como se os portais pras outras dimensões estivessem fechados.
Como se minha comunicação estivesse bloqueada.
E não consigo trazer palavras à forma de poesia.
E não consigo transmutar o que eu sinto em beleza.

Grande bosta essa vida de pretensiosa aspirante a poetisa.
Tanta gente passando por aí e comendo e indo pro trabalho
se parassem pra me ler iam dizer "ok, vai fazer algo da vida".
Talvez eu devesse mesmo, mas eu não sei o que.

Aí você vem e me diz "você já deveria estar com postura de historiador."
Oh, senhorita, desculpe, mas ser uma arrogante qualquer numa mesa de bar?
Ficar por aí estragando prazeres e discutindo filmes como se eles tivessem que ser documentários.
Que tipo de pessoa não consegue se desligar do que estuda por nem um segundo?

Aí você pode me dizer que isso é coisa de todo mundo das humanas.
Aí você pode me dizer que isso não é ruim.
Não é ruim se você ficar vivendo no mesmo mundinho.
A vida não é nenhum cabaré, como diria Amanda. Mas também não é um discurso acadêmico.

Então eu viro e explodo tudo isso.
Livros e mais livros destruídos e eu não me importo.
Eu acordo mais tarde do que deveria e tenho que correr.
Não posso chegar tarde no lugar que está me deixando infeliz.
Não posso chegar atrasada no lugar onde tenho que conviver com as pessoas que mais odeio.

Mas eu não sou louca e nem desleixada
Eu não odeio a história
Eu só acho que não sou
uma historiadora.

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