terça-feira, 29 de maio de 2012

Casamento Celeste

O céu tomou o gosto pelo cinza ontem e se vestiu de nuvens escuras. Ao contrário do que as pessoas pensam, ele não estava de cara amarrada. Ela, na verdade. O céu é uma mulher - uma mulher que chove ou fica ensolarada.
Céu choveu porque estava se sentindo livre. Sentia-se como uma menina de cabelos soltos andando de bicicleta à beira-mar, com fitinhas no guidão amarradas (mas não o coração florido).
Chupou uma bala de hortelã e carinho, guardou o papelzinho no bolso e enviou um ou outro raio pra assustar gente humana. Riu-se das crianças que se esconderam debaixo dos seus cobertores, uma gargalhada pura e leve, solta. Céu não sabia se era menina ou mulher ainda, por isso aquelas crises de identidade a deixavam raivosa.
De repente Céu cansou de chover e se aquietou. Como guardasse a bicicleta, foi se deitar e escureceu. As crianças continuaram com medo debaixo de seus cobertores, mas Céu não percebeu. Tinha um drama maior. Céu não sabia se queria casar com a Lua ou com o Sol.

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