domingo, 1 de abril de 2012

Som ligado

Era tão bom ouvir aquelas músicas. Parecia que poderia implodir com a emoção que elas lhe causavam. Chegava mesmo a sentir o nó no peito e que os olhos poderiam estar marejados - mas eles só choravam lágrimas invisíveis.
Mesmo que se esforçasse bem, não poderia achar no seu ser de onde vinham aquelas emoções quando ouvia aquelas canções anos atrás. Parecia chorar por coisas que nunca vivera, como se a música fosse uma premonição. E agora que os acordes tocavam suas vivências e os versos falavam se seus amores - amores reais, vívidos, ora coloridos, ora preto e branco -, o som a completava e preenchia de tal forma que ficava difícil falar. 
E quando se sentia deslocada, quando sabia que era uma intrusa, aquelas velhas companheiras sempre confortavam-na. Feliz era a menina quando ligava o som...

"Laying beside your bed waiting for the last breath
Can it be done, can it be saved 'till we apart
Slowly ran water down to fill you
Slowly turns tide for us to weep

For this I was given birth
For this I was given name
Slowly ran water down to reap."

Leppäluoto, House of the Silent.

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