domingo, 8 de abril de 2012

Te quero livre

Chorando a tarde inteira aqui trancada
dando graças a deus por você não estar perto
assim você não vê.

Puxo as linhas descosturadas do meu peito
que se abre cada vez mais, do pior jeito possível
soluços inaudíveis mas atormentadores me perpassam
e no entanto eu não vou deixar você ver nada disso.

Porque não quero te prender com essas linhas
não quero traçar limites com pontilhados traços em giz branco
porque você é livre.



sábado, 7 de abril de 2012

Eu não sei esperar

Odeio esse isolamento e faço dele uma jaula
eu tranco meus pertences como eu na tua sala
te cubro de sorriso enquanto quero morrer
eu faço um manto de lágrima e um colchão de entristecer

Mas não, não vou embora
porque as coisas parecem ser como têm que ser.
Eu não vou embora
porque eu acho que é o único jeito de você compreender...

Que eu não sei jogar.
eu nunca soube o que fazer quando me sentia amada
as coisas podem parecer simples desse ângulo mergulhada nas almofadas
sentada no sofá aqui olhando pra você

É sempre muito fácil quando estamos juntos
e as coisas dão certo, e que se dane o mundo
e todos que olham torto mesmo que seja sem saber
que a parede chora com a gente.

Mas não, não vou embora,
eu nunca sei o que pensar enquanto você não chega
não, não é a hora
embora agora eu não queira ficar aguardando palavras tuas

Não, não vou embora,
porque as coisas parecem ser como têm que ser
Eu não vou agora
porque eu acho que é o único jeito de você compreender

Que eu não sei esperar.

domingo, 1 de abril de 2012

Som ligado

Era tão bom ouvir aquelas músicas. Parecia que poderia implodir com a emoção que elas lhe causavam. Chegava mesmo a sentir o nó no peito e que os olhos poderiam estar marejados - mas eles só choravam lágrimas invisíveis.
Mesmo que se esforçasse bem, não poderia achar no seu ser de onde vinham aquelas emoções quando ouvia aquelas canções anos atrás. Parecia chorar por coisas que nunca vivera, como se a música fosse uma premonição. E agora que os acordes tocavam suas vivências e os versos falavam se seus amores - amores reais, vívidos, ora coloridos, ora preto e branco -, o som a completava e preenchia de tal forma que ficava difícil falar. 
E quando se sentia deslocada, quando sabia que era uma intrusa, aquelas velhas companheiras sempre confortavam-na. Feliz era a menina quando ligava o som...

"Laying beside your bed waiting for the last breath
Can it be done, can it be saved 'till we apart
Slowly ran water down to fill you
Slowly turns tide for us to weep

For this I was given birth
For this I was given name
Slowly ran water down to reap."

Leppäluoto, House of the Silent.