quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Uma Nossa Canção

O mar vem dizer
coisas novas
coisas antigas que eu não lembrava
renovadas por um novo amor
um homem que esconde
e que não sente dor.

E me devora, demora e mantém
o meu pensamento tão longe do mar
o mar que eu preciso pra me afogar
e quando eu te falto você vem cantar
uma nossa canção, só pra eu lembrar
que você existe, na nossa lógica
Um mundo paralelo como uma corda
onde me equilibro e que me enforca.

E essas linhas,
canções de ninar,
monstros marinhos
que vêm te assustar
se desmancham em versos
em coisas pequenas
nos fazemos de tolos
pra ninguém notar.

E quem vai saber, se eu não lembrar?
E se eu morrer?
Tudo vai ficar morto como eu longe de você
onde a calma mora e me faz adoecer.

Por isso morrer
vai doer.
Se eu for, não existimos
e a não-existência* machuca.
Somos um vão,
uma fissura no tempo.
Somos o alento
pra fora do tédio.

*Compreendo perfeitamente que "inexistência" caberia muito bem aqui, mas eu achei que assim soa melhor.

Escrito em 8 de janeiro.

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