terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Motocicleta

Começou a carta como um manifesto, uma revolta:

Se vocês pudessem parar de mudar o que "seria melhor que você seguisse" eu ficaria grata. Canso de ouvir as mudanças de referenciais que todos vocês tem a me dar. É claro que vocês ficam pensando em como é ser eu e estar na minha situação. Só que vocês só resolvem pensar melhor depois que eu já fiz. SERÁ QUE DAVA PRA PARAR? Acho que vou fechar o casulo.

Deixou-me pasma com tanta raiva e na verdade eu achei que fazia sentido. Ela era sempre drástica e gostava de fins. Lembro do primeiro namoro dela, que ela terminou muito rápido porque começava a sufocá-la - a pressão de ter a melhor amiga apaixonada pelo namorado, treze anos de idade, um cara com quase dezoito, a inexperiência e o mesmo nome daquele que atualmente ela deixara ir embora. Ela fez novamente com que um homem com aquele nome se afastasse dela.

-Estou com sono, mas sabe quando tens coisas pendentes e parece que não vais conseguir dormir?

- Sei. Mas não tenho mais esse problema. - respondi, e sorri em seguida - a não ser meu quarto por arrumar. Mas acho que vou arrumá-lo antes de dormir.

- Essas coisas pendentes sempre aparecem... Talvez por que sempre estão pendentes. – e riu um sorriso irônico - Mas enfim... O que é a vida sem um incômodo?

- É, eu concordo plenamente. - disse eu, sorrindo largamente, satisfeita.

Minha vida estava uma completa bagunça, o furacão tinha passado, os entulhos estavam revirados nas ruas cinzentas e abarrotadas de gente confusa passando pela minha mente.

Ela estava sozinha, mas tinha visto uma lua tão bonita e realmente dourada no céu, e a moto corria tão rápido, e o vento jogava uma cor pálida na pele de seu rosto. Pensou se ele estava olhando pra lua e se estava se sentindo tão feliz e livre quanto ela.

A menininha dentro de mim sorriu com os cabelos ao vento.



Dia desses eu vi uma borboletinha amarela sobrevoando entulhos. Era um presságio e eu nem sabia...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sem vento.

Hoje eu sonhei um sonho que nunca tive antes. Sonhei com um mundo mágico e secreto, com um olhar doce novamente. Acordei confusa e logo percebi o engano.
Quis dormir mais. Sem sonhos dessa vez.
O suor me afogou nos lençóis, o sol do meio dia acertou em cheio minha cabeça enjoada. Meu corpo idem. O calor me deixava sonolenta e esparramada na cama. As folhas nas árvores não se mexiam, nenhum sinal de vento. Pensei "é, acho que ele não vai dar as caras agora".
O que Ana Terra fará sem ventanias?



Só refletindo...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Réquiem.

Essa sou eu
aquela que sai perdendo em qualquer situação
aquela que se sairia mal de qualquer jeito
porque os cordões arrebentam quando a marionete é pesada demais
e sempre na boneca com o rostinho mais frágil.

Saí correndo e quebrei a perna
vomitei meu estômago e fiquei jogada no chão de cimento
Onde está a mulher forte de que meus amigos falam?
Eu só vejo um fiapo de menina destruída,
no meio de uma poça vermelha grudenta.

Enquanto isso, na praia, palavras são escritas na areia.
Na cozinha uma garrafa de vinho, uma lâmina e um olhar
que reaparece no sonho, e que trás uma aura de arrependimento que já é conhecida
mas que outro rumo poderia tomar?
Você sempre sai perdendo, perdendo...

Só espera agora não perder parte mais bonita disso tudo
aquilo que não depende do que acabou
e espera que entendam isso.
Pra que ela possa sobreviver - por enquanto não pensa em "vida".

Esperando não ter mais que ter medo
não conseguirá nunca falar o que sente
Nunca conseguirá explicar
ninguém conseguirá entender
e vai acabar onde tem que estar.


No meu sonho, Galadriel disse "Esse será o único olhar que ele lançará pra você agora. Nunca mais nenhum outro." Só aquela raiva. Meus versos mais verdadeiros e os que mais fizeram sentido ecoam na minha cabeça como uma maldição:

Eu só queria um pouco de paz
Talvez a encontre
em algum lugar de mim mesma
sozinha de novo
onde tudo deve estar.

Tudo está em seu lugar quando não tenho ninguém.
Mas isso não significa felicidade.

Ainda não soa como fim.

Bom seria chorar até desidratar.

"Eu que não fumo, queria um cigarro..."

Uma menininha grita que não é justo.
Uma mulher agarra-lhe os cabelos
e joga a pequena num quarto escuro.
Nenhuma delas porém sente como se estivesse acabado
um olhar raivoso e um sonho horrível
é o que sobra de uma noite desgraçada
e o que sobra das poesias escritas
são novas poesias, separadas.






sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sobrevida

Vou continuar num ritmo que seja pra você acompanhar
mas noutra dimensão
pra eu poder sobreviver...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Teatro Madrepérola

Djavan manda lembranças ao poeta reticente.
Que olhos!, guardando em si o que não se pode ver.
Enxergando o que?, se a vista que lhe concede a dama é parcial.
Ainda que isso seja injusto, ela se sente melhor assim;
ou pelo menos por enquanto, ou pelo menos é o que ela acha,
ou pelo menos é como ela fez a vida inteira,
porque acha que ninguém vai agüentar o que nem ela mesma aguenta.

Ela foi caminhando desviando das poças o mais que podia
e no entanto, num ataque de histeria,
começou a pisar nelas espalhando água pelos pés brancos e em volta.
Assim sujos ela pensava melhor na palavra "lama"
que ela nunca compreendera bem nos poemas de seus ídolos,
mas agora tinha certa noção do que significava.

Correu, enquanto se agasalhava em seu casulo de misérias e decepções.
Mas ele não deixou que ela se afastasse muito.
Agarrou-lhe os braços, e disse que ela não poderia se esconder dele por muito tempo
Porque ele não queria feri-la e ela sabia, e ela chorou por dentro,
Porque queria aquilo e queria não aparecer mais por entre cortinas vermelhas de veludo
Queria encerrar as apresentações no seu teatro de madrepérola
Os assentos portentosos ela queimaria todos
E expulsaria quem quisesse continuar vendo-a fingir
(o que faria com que somente uma pessoa lá permanecesse).
As lágrimas rolaram por dentro da pele, e ela, sobrancelhas franzidas,
correu num ritmo em eu ele pudesse acompanhá-la – mas ainda não deixara de correr.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A menina dançarina

Um belo poema feito pelo amigo Guilherme Wordell Oliveira. Obrigada, querido.

"A menina dançarina"

Sempre sorrindo. Dance.
Não perca o ritmo. Dance
Não se entregue. Dance
Apenas dance. Dance.

Se seu palco é seu mundo
Se sua dança é sua arma
Dance até morrer bailarina
E sua glória será sua história.

Do bailar se fez poemas
Das várias faces da menina
Brotou a grande obra prima.
O existir da garota vivida.

E a garota dona do mundo
Essa princesa nunca esquecida
A pequena dançarina sonhadora
É você, minha Ana, minha querida.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

X

Hemos perdido aún este crepúsculo.
Nadie nos vió esta tarde con las manos unidas
mientras la noche azul caía sobre el mundo.

He visto desde mi ventana
la fiesta del poniente en los cerros lejanos.

As veces como una moneda
se encendía un pedazo de sol entre mis manos.

Yo te recordaba con el alma apretada
de esa tristeza que tú me conoces.

Entonces dónde estabas?
Entre qué gentes?
diciendo que palabras?
Por qué se me vendrá todo el amor de golpe
cuando me siento triste, y te siento lejana?

Cayó el libro que siempre se toma en el crepúsculo,
y como un perro rodó a mis piés mi capa.

Siempre, siempre de alejas en las tardes
hacia donde el crepúsculo corre borrando estatuas.

Pablo Neruda em seu lindo livro Vinte poemas de amor e uma canção desesperada.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Devaneios

Quero sonhar com vermelho
com um rio viscoso e rubro
e acordar banhada em sangue
o lençol ensanguentado
como se uma faca tivesse transpassado meu ventre.

Quero levantar da cama, agonizante,
andar até o banheiro, cambaleante,
pra então me olhar no espelho
e constatar que estou morrendo
me esvaindo pelas veias,

Então vou me segurar firme no balcão da pia
vou me abaixar até deitar no chão,
gritando o primeiro nome que me vier à língua.
Vou rastejar até conseguir abrir o registro da banheira
enchê-la e nela mergulhar.

A água vai ficar vermelha.
Eu vou desmaiar, de dor e sem sangue
e quando você chegar
eu estarei azul, murcha e dura.
Deliciosamente morta.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Outra menina que dança

Quero saber dos teus sonhos,
das tuas vontades mais lindas.
Quero ler nesses olhos
um vislumbre do que é a vida.

A poesia escorre entre nós como relógio derretido
o tempo que ridicularizamos e desfazemos
só pra poder brincar
eu a menina, e eu danço.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Uma Nossa Canção

O mar vem dizer
coisas novas
coisas antigas que eu não lembrava
renovadas por um novo amor
um homem que esconde
e que não sente dor.

E me devora, demora e mantém
o meu pensamento tão longe do mar
o mar que eu preciso pra me afogar
e quando eu te falto você vem cantar
uma nossa canção, só pra eu lembrar
que você existe, na nossa lógica
Um mundo paralelo como uma corda
onde me equilibro e que me enforca.

E essas linhas,
canções de ninar,
monstros marinhos
que vêm te assustar
se desmancham em versos
em coisas pequenas
nos fazemos de tolos
pra ninguém notar.

E quem vai saber, se eu não lembrar?
E se eu morrer?
Tudo vai ficar morto como eu longe de você
onde a calma mora e me faz adoecer.

Por isso morrer
vai doer.
Se eu for, não existimos
e a não-existência* machuca.
Somos um vão,
uma fissura no tempo.
Somos o alento
pra fora do tédio.

*Compreendo perfeitamente que "inexistência" caberia muito bem aqui, mas eu achei que assim soa melhor.

Escrito em 8 de janeiro.

Ainda não me encontrei

Você me jogou no chão
caí nele como fosse um mar de fluorecentes cores
que me tragavam em si mesmas
e me puxavam pro fundo de um estranho prateado
de um mar louco e obscuro.

Parecia que eu tinha mergulhado em seus olhos
Que continham em si estrelas como grãos
com os quais alimentei pássaros imaginários
que sobrevoaram e *rasavam, rasgavam o ar à nossa volta.

Quando eu me encontrar, quero que esteja perto de você.



*rasar é o verbo cujo sentido alterei para "dar um vôo rasante."

sábado, 7 de janeiro de 2012

Visões de Tara

Da lama surgiu um monstro que correu atrás de uma frágil menininha. Embalada pela poesia, porém, ela se libertou.

Da lama surgiu uma lótus. Ela se abriu com Tara dentro dela, dançando sua compaixão para dentro da vida da menina amedrontada, ainda puxando o ar com dificuldade pelo medo que a encobriu como uma deusa maldita, praguejando a lama em seus sapatos de boneca, com a boca de botão em flor se abrindo em palavrões inocentes de não saber o que significa, os cabelos desgrenhados e os olhos lacrimejantes.

A menina parou. De onde tinha vindo a poesia? Tara lhe sorriu. A menina tinha pequenos espelhinhos colados na roupa colorida. Os cabelos, ainda que bagunçados, tinham em si amarradas fitas multicoloridas salpicadas de lama. Escondido num tronco, um duende se ria dessa desordem fascinante, saindo da sombra para observá-la melhor.

Tara voltou pra lótus, serena, calma e clemente, emanando amor. O duende parecia debochar disso, e, no entanto compreendia muito bem – o ar zombeteiro não era intencional. A menina virou-se para ele, pois sentia que era de lá que os versos vinham. Os versos eram ditos e algum lugar da sua cabeça, mas o duende não movia os lábios. Ele os estava colocando lá!

Sem perceber, a menina chegara mais perto. O sorriso do duende parecia mau. Mas ela sabia que não era. “Como se eu já o conhecesse...”

Algo a puxou pra fora d’água. O ar bateu em seus pulmões com força. Tossindo, ela virou na areia da praia vazia. Ou assim ela pensava. Alguém a tinha puxado pra fora do mar revolto e convidativo. Seus pequenos lábios tremiam, roxos, seu corpo estava muito gelado, e o vento açoitava tudo ao redor. Havia árvores e um caminho mais ao longe.

Havia um homem ali. Ele parecia exausto, e suas roupas e cabelos estavam encharcados como ela própria. Ele respirava ofegante – obviamente ele a tinha salvado. Ela o odiou. Odiou-o por tê-la tirado de seu devaneio pré-morte, por não ter deixado o duende falar com ela. E Tara, Tara lhe envolvera tão deliciosamente com seu amor...

Com os cabelos negros espalhados na areia, ela ficou imóvel, desejando morrer. A dor que sentia, a ardência nas mucosas do sistema respiratório eram insuportáveis, e sua alma parecia gritar. Por fim, ela própria gritou.


(Continua?)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Divagações

Sentei de frente pro mar num banco na grama. Se é que isso é possível, a grama estava suja de areia. É que os passantes limpavam os pés no verde pra não sujar o carro - e havia muitos passantes ali, que minha reflexão ignorava, ao mesmo tempo em que reparava em todo e qualquer detalhe deles.
Fiz cara de quem precisa de alguma coisa e não sabe o que é. Cara de quem sente falta de algo. Uma cara de quem entende porque não pode ter aquilo que quer mas que acha muito injusto - é normal acharmos que há injustiças sendo cometidas contra a gente -, embora meu lado racional soubesse ser aquilo perfeitamente aceitável e até justo. Mas minhas expressões nunca obedeceram qualquer lógica, elas só são o que são - expressões puras, reflexos instantâneos de meu sentir.
Abri meus olhos como gavetas, deixando que o mundo espiasse ali dentro. Eu esperava que o mundo pudesse ler meus pensamentos nos meus olhos como se eles fossem letreiros, que vissem ali dentro pássaros voando e lobos correndo, neve caindo - ainda que eu nunca tivesse visto esse espetáculo ao vivo - e ventos congelantes, em uma rodoviária, um terminal de ônibus, um lugar bem abandonado num dia nublado como minha cara blasé.
Matei uma abelha num reflexo que me puxou pra realidade, e me desculpei com ela, inutilmente - eu não queria matá-la, como quando damos um peteleco num inseto pra que elevá pra longe e no entanto a força mal calculada acaba matando-o, eu vi a abelhinha esmagada e me senti cruel, humana, nojenta. A abelha não me provocava asco.
Olhei pro mar, com seus banhistas, barcos turísticos, vi as crianças correndo à beira d'água, duplas jogando frescobol (odiava aquelas duplas!), senhoras exibindo corpos flácidos sem sequer se importar (afinal o que mais lhe restava?, passaram provavelmente a vida inteira se importando em ter o corpo perfeito e agora agradeciam por estarem vivas, a grande ironia da indústria da beleza, por fim derrotada na vida de cada mulher que no fim da vida resolve andar na praia ao lado de um marido barrigudo), e mães preocupadas dizendo pra que "filho, volte, aí é muito fundo, MARCELO VOCÊ VAI DEIXAR SEU FILHO SE AFOGAR?".
Sorri. O mar sorriu também, apesar de mudo, e os barcos deslizavam, os morros guardavam histórias de pedras e cavernas que serviam de abrigo pra bruxas de nomes exóticos, e eu ali sentada, só observando, observando, observando, a minha vida passando lentamente por segundos slow motion pra que depois eu sentisse que tudo tinha passado rápido demais. É a vida, dizem. É a vida.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cegueira Vermelha

Enfiou-lhe uma vela para cada órbita dos olhos azuis do rosto que coroava aquele corpo magnífico, agora caído no chão. Chutou a cabeça que berrava de dor, e riu, quando percebeu que podia matá-lo, ali, indefeso. Mas não o fez.
De repente os gritos lhe pareceram insuportáveis, e só saiu correndo, deixando seu cheiro florido atrás de si na caverna maldita.
A idéia das velas ocorrera-lhe vinda de um livro, agora ela lembrava. Queria ver como era, se a coisa lhe pareceria tão poética quanto parecera nas páginas amareladas do velho livro que leu e releu tantas vezes, em tardes quentes ou frias, tanto fazia, era uma coisa a se tentar. E tentou. E a coisa pareceu-lhe muito melhor na vida real porque era de verdade e era ela e era ele.
Quando caiu em si, estava correndo há horas. Estava numa praia deserta de ventania, a areia lhe vinha aos olhos como que para beijar-lhe as pálpebras, mas de repente o vento ficou muito forte, e a areia a machucava. Abaixou-se no chão até sentar-se, e a ventaria de pronto parou. Foi aí que ela finalmente olhou pro mar. E ele parecia tão perfeito, esse mar, e ela pensou como era possível que aquela superfície uniforme guardasse tantos mistérios e espécies e embarcações, como aquele mar parecia gritar lá nas profundezas as histórias de piratas, viagens, pescadores. E no entanto, essas histórias estavam no fundo, e como uma pessoa que grita debaixo d'água, o mar era mudo. O mais que podia fazer era rugir com suas ondas. O mar rugia sua dor de ter visto tanto.
De repente o mar parecia a metáfora perfeita para seus olhos e para os olhos do rapaz. Talvez agora que ele era cego não pudesse mais ver a dor. Então ela voltou até a caverna, onde ele permanecia imóvel, desacordado, e arrancou os próprios olhos, em frente ao altar que fizera. Tateou o chão em busca do corpo inerte do homem, deitando-se ao seu lado. Ela sentiu que com seus movimentos ele acordava e tratou de sussurrar-lhe: "Calma, eu também não posso mais enxergar."

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Do infeliz querer

eu vou ficar nessa solidão fria
até a luz da sala explodir.
e então vou gritar no teu ouvido que estou morta,
enquanto permaneço viva na tua poesia e na tua pele,
destruída no entanto pelo fogo
de uma danação que me é merecidamente concedida
e então, ali, condenada e fria
eu vou arder como arderia nos teus braços
só que eu não vou sorrir
vai doer de outro jeito, e vou chorar
como já chorei e não dá mais
porque cansou e murchou
sou flor caída e verso pobre,
sou poetisa sem estrelas, destruída pela visão
de um futuro que se expõe para mim como mulher nua
esse futuro que me assola os dias, as manhãs de verão
novamente, tudo se aquieta em seu lugar costumeiro
de infeliz querer.