quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Alice

"In this world nothing's real
All you see just happens in your head
Just like a dream
A very long night (...)"

Emilie Simon.



E eu pensei que as bolhas e as colheres
que voavam ao meu redor eram de verdade
mas o que elas eram era só poeira e moscas,
e havia gente morta na mesa de chá.

Olhei pras minhas mãos cheias de sangue
corri em círculos a sala toda
"Mas que sala?, isso é um bosque!",
a lua veio me dizer sorrindo,
uma boca pairando no ar a me sussurrar verdades ameaçadoras
suprimindo minha bondade.

O morte veio se despedir de mim de novo
eu pintei a boca dele de vermelho, mas não com batom.
Passei o mesmo sangue nas minhas bochechas, aquilo não era blush
e nem tampouco meu sangue por baixo da pele me enrubescendo.
Era o sangue deles ali na minha cara.

Eu fiz uma trouxa com a toalha de mesa e todas as xícaras
o que sobrou dos bolos e as sobras de cigarros.
Eu amarrei forte e pisei bem em tudo, numa dança macabra.
Eu joguei tudo próximo a uma árvore, junto com os corpos.
As almas já estavam amarradas ao morte, que me observava, paternal.

O fogo lambeu pernas, xícaras, veneno, facas.
As chamas consumiram farelos, migalhas e restos.
Eu peguei uma fruta de uma árvore qualquer
e me sentei numa cadeira, assistindo o fogo dançante tamborilar sons na madeira
e eu me transformei em pássaro pra procurar mais convidados
pro chá das cinco nos meus domínios.

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