domingo, 27 de novembro de 2011

Tédio blue de imaginação.

Ela acordou blue, numa chata marola mental. Não chegava nem mesmo a se sentir irritada, apenas insatisfeita consigo mesma naquele dia blasé. Ela estava blasé. Blue blasé. Très sombre, très sombre.

Ela era a única pessoa que ela mesma conhecia que não queria um carro, a única que se sentia assim naquele dia, "aparentemente sem motivo", diriam os que a vissem daquele jeito. "Tão deprimida, tão pra baixo...", que mentira!, ninguém a via assim. Ela já era automaticamente uma máscara ambulante.

Nenhum livro na estante parecia interessante, nenhum filme em cartaz a faria se distrair, nenhum trabalho da faculdade lhe captaria a atenção. Ela estava quase entrando em colapso. Neste momento, a indiferente expressão de tédio dava lugar ao mau humor que lhe retorcia a testa. De sobrancelhas franzidas, não poderia escrever nenhum poema.

Então se ateve aos fatos. “Ok, você não pode mudar nada. Mude você, então.” Com uma flauta tocando, seu som doce e magnético saindo pelas caixas de som do frio computador tecnológico, um som quente e mágico, como brumas, como bruxas, como magia.

Imaginou pois um cenário, e compôs músicas na sua cabeça imaginativa. Viu em seu cérebro ela mesma sentada ao piano, os dedos tocando as teclas, primeiro sem produzir som algum, apenas sentindo a textura das teclas de madeira sob a pele – achava crueldade teclas de marfim -, chegava mesmo a sentir o cheiro da madeira. Não só a do piano, mas do cômodo onde ele ficava.

Sorrindo, imaginou o sonho que lhe tecera certa vez em comentários certo amigo, e pôs-se então a tocar, em sua mente, uma doce melodia motivada por paixões internas e longa melancolia que desabrochava como flor de cerejeira em seus olhos.

Voltou do devaneio perturbada, ouvindo a mesma flauta que a fizera pensar no sonho. Um sonho que ela mesa não podia ter. Ela, bruxa renegada das visões do sono, apenas podendo ver o que sua imaginação lhe contava. Era como se essa imaginação tivesse vida própria, influenciando seus dedos, seus olhos, seus ouvidos – sua pele, quando ele a tocava. Aquilo não poderia de fato existir, ela estava sonhando, sonhando, sonhando...

Caiu novamente do devaneio. Imaginou-se na presença de um fantasma, um espírito, um duende, talvez. Como se estivesse tentando fazê-la louca, mas ela estava ali, ali!, sentada em sua cadeira em frente à fria tecnologia séculovinteeumana do computador que a aproximava e a sua poesia do mundo que nunca poderia entendê-la.

O tédio se dissipou.

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