quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Teclas Abandonadas

Muitas vezes ouvi falar no filme "O Piano". Minha própria mãe me falou muitas vezes dele, e eu sempre tive a curiosidade de assistir.
Um dia, no sebo, procurando livros da Marion Zimmer Bradley e maravilhada com os CDs de Pink Floyd a preços mínimos, um livro me chamou atenção. Era "O Piano", de Jane Campion e Kate Pullinger.
Coloquei na minha cabeça que aquele livro seria meu, mas por muitas vezes eu o deixei de lado, comprando outras coisas. Mas o livro permaneceu lá.
Um dia eu resolvi que o levaria pra casa, junto com o terceiro álbum de Led, um cd do Djavan e outro da Marisa.
Quando abri o livro e comecei a ler, indo pra faculdade, eu me senti tão identificada e tão plena ao ler aquela história, a história de uma mulher muda que sai da Escócia e vai para a Nova Zelândia com sua filha, para se casar com um estranho que abandona seu piano na praia, o piano que era sua voz, eu imaginei a devoção daquela mulher, sua tristeza e a música dela. Lacrimejei.
E hoje, lendo a página 91, encontrei o seguinte:

Naquela noite Alisdair estava em casa, lendo no quarto ao lado, enquanto Ada punha Flora na cama. Flora queria ouvir uma história, ela queria mais uma vez que Ada lhe falasse de seu pai.
"Eu lhe contei a história de seu pai muitas vezes", sinalizou Ada, sorrindo.
Flora nunca se cansava de ouvir o relato. A própria Ada não se incomodava de repeti-lo mesmo após tantos anos e um sem-número de razões, uma teia delas, para não fazê-lo. Ela jamais lhe revelara a história completa, mas criara algumas versões simples e reconfortadoras.
- Conte-me novamente - insistia Flora, acariciando o rosto da mãe, aproximando-a ainda mais perto da luz quente e dourada da vela. - Ele era um professor? - Ada concordou com a cabeça. - Como falava com ele?
"Eu nunca precisei falar", Ada sinalizou. "Eu escrevia meus pensamentos na mente dele, como se ela fosse um papel", suas mãos riscaram o ar.

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