quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sorte

Eu cortei um ramo de uma árvore bem fininha
e prendi na ponta dos meus cabelos.
Nos meus sonhos, eles ainda são compridos
porque compridos eles revelam meu verdadeiro eu,
aquele que somente eu e você vemos;
uma pessoa de fortes expressões e olhos,
palavras que expressam tudo,
e no entanto uma fragilidade de ramo ao vento.

Cortei um pedaço de papel.
Eu escrevi nele um segredo, em um pequeno verso.
E eu o coloquei num receptáculo com algumas outras palavras.
O fogo lambeu as letras, e eu observei o fogo.
As cinzas eu joguei ao vento, e o ramo preso no meu cabelo se soltou.
Foi junto com nossas palavras ver o mar de perto
e eu me voltei de costas e fui descer as escadas do meu covil.

Cortei um pedaço do meu cabelo e pano vermelho.
Fiz cabelos e roupas pra uma boneca com que montei um cenário.
De uma caixinha pequena brotam libélulas de papelão colorido;
borboletas, grilos, coelhos e toda uma sorte cintilante de animaizinhos multicor.
Grudei num papel bem grande e deixei na parede.
Quando eu acendo o caldeirão, a luz bruxólica brinca sobre esses desenhos todos.
É quase tão bonito de ver
quanto teus olhos assim, deixando escapar por segundos
um menino que corre em campos verdes.

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