segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Narcisismo

Depois de um tempo dormindo, acordou com pensamentos diversos vagando na mente pesada. Entre um "foda-se" e um "puta que o pariu" aqui e ali, de repente achou todo mundo deprimente, e, olhando pra si mesma, quis ter certeza de que não estava parecendo amarga ou deprimida. Olhou no espelho. Gostou do que viu. Sorriu pra moça ali espelhada, tentando seduzir o reflexo. Se não fosse ela mesma, teria se beijado, "na boa". O próximo passo era sentir nojo da própria audácia, e o terceiro era socar a parte de si mesma que tinha esse nojo. (E Bob Dylan continuava cantando nas caixas de som, falando sobre respostas ao vento...)

Quando se deu conta de que eram duas e vinte da manhã e que o sono que sentia não era suficiente pra fazê-la voltar pra cama, tentou fazer a retrospectiva do dia. Coçou o braço e sentiu uma dor estranha ali, dor de hematoma. Tocou novamente pra ter certeza. Definitivamente, devia haver alguma marca ali. Uma leve marquinha de dentes. Ela sabia exatamente quem tinha feito aquilo, só não lembrava em que momento da tarde.

Horas antes, tinha estado no mesmo bar de sempre com os mesmos amigos de sempre e a mesma bebida de sempre - a não ser por um copo diferente naquele dia. Mas ok, nada de estragos, só o costumeiro estado "off" do qual ninguém tomava conhecimento porque ela o dissimulava bem com risadas escandalosas.

Ficou imaginando como seria bonito se existissem peixes de lantejoulas e como bolhas eram bonitas. Não sabia por que lembrara-se das bolhas, o fato é que elas estavam em sua mente. Talvez fossem as bolas de sinuca. Ela gostava mais das claras. As cores. O verde manchado da mesa, um corpo em seu colo. Ela o conhecia bem. Uma ou duas mordidas naquele corpo. Será que a mensagem teria sido passada? Ele foi embora pouco depois.

Ficou tentando achar qual era a palavra praquele amor próprio exacerbado que a fizera se encontrar consigo mesma no espelho, e, ao lembrar-se dele, deu título ao presente texto. O referido texto foi postado sem nenhuma vergonha de ser o que se dignou a ser no momento em que ela começou a falar de si mesma: um manifesto de auto-confiança - e quem quiser chamar de auto-afirmação, fique à vontade.

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