sábado, 12 de novembro de 2011

Haniat

Eu teci outro dos meus inúmeros mantos.
Peguei nuvens de algodão agridoce
e fiz linhas e mais linhas de amor e amizade.
Abracei você com meus braços grandes e fofos de massa de pão.
Você sorriu com dentes e metal,
esse sorriso de criança, e cantou comigo
que havia uísque na jarra.
Nós passamos por aventuras de imperadores e guerreiros,
lemos sobre trilhas de lágrimas e reinos destruídos.
Choramos interna e externamente
por almas perdidas há séculos,
e eu já ri de você e tu ristes do meu espanhol arranhado.
Na tua casa a gente comeu maçãs,
interpretando poemas mais velhos que nossos avós,
e depois disso continuou lendo histórias
e mais histórias sobre mulheres
cortejadas na Roma de Ovídio.
"Perfeito, meninas, perfeito."
O vento soprou sobre nossas cabeças diversas vezes
quando o silêncio se fazia
entre nossos papos sobre amores e poetas e desenhos.
Nossas mãos desenharam e traçaram muitos céus e palavras de estrelas.
Algumas confidências e pioneirismos compartilhados,
E o mesmo gosto por tatuagem e arte.
Você me entendeu quando precisei,
Te acolhi quando, naquele dia, você chorou pelo homem colocando calçamento.
És uma nobre mulher, e eu me constranjo, às vezes, por ser má.
Me sinto uma intrusa no teu céu de nuvens coloridas
E quando eu soube do teu dia de cobertores de lã e menta
Te apertei como se você fosse uma menina
que tivesse pulado pra ser mulher em segundos.
Mas você permaneceu menina. Linda como sempre.
Afinal, mujer, você não é tão pequena assim.

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