segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pela Sombra

Eu tava ali dançando no asfalto
Conexão Lago dos Cisnes
Enquanto no morro as pessoas continuam vivendo
e algumas pipas se soltando
se desprendendo de mãozinhas brincalhonas
e quando elas passam na frente do sol
meus olhos doem
porque a luz é tanta!, é como amor que transborda da boca,
como fumaça que se enrola na mão.

As xícaras ostentam café
e os olhos retém as letras
a mente trabalha sob pressão,
lê frases sem sentido de gente que já morreu e que não vão me salvar
aqui em vida, na Terra onde eu caminho
e danço sobre o asfalto, coisa feia dos homens
Os anjos sabem a desgraça que isso é
Todo esse metal retorcido que se movimenta sobre rodas
essas coisas modeladas pra fazer a vida mais truncada
trancada.

As coisas mais óbvias permanecem obscuras
nessa dinâmica estúpida em que vivemos
que faz com que amores sejam reprimidos
risos sejam condenados
e palavras escolhidas demais, sem serem sentidas
só pensadas e caídas no vazio
jogadas num chão transparente e frio de gelo e poeira
sujeira.
Nada de pó de estrelas, só pó.
O pó pelo pó.

Reduzidos a isso nós nos fazemos gente
E a gente finge que tá tudo bem e que tá feliz
E andam bicicletas, motocicletas
E caminhões caminham e você corre
E nada de voar, porque aí você cai.
É melhor tomar cuidado por onde você vai.



(Vai pela sombra, rapaz.)

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