domingo, 16 de outubro de 2011

Manifestos de Menina #8

Às vezes queria ser louca de fato.
Num espasmo de raiva eu jogo longe o porta-canetas.
Volto a mim e percebo que está só na minha cabeça
as canetas estão todas no lugar.
Aí você me pergunta "o que fazer com essa loucura?"
e é justamente por isso que eu tenho essas vontades de arremessos.

Eu vou é correr até voar e afundar no sol
quem precisa de asas de pena e cera?
Eu posso ir até lá com os amores que carrego aqui dentro
vou chegar no Astro Rei e, antes de morrer queimada
vou insultá-lo e cuspir nele.
E de preferência eu pego o tempo de porrada no caminho.

Os físicos vão rir do meu manifesto
e os religiosos ficarão bravos com o próximo verso
se eu pudesse eu faria Deus sangrar
por todas as veias possíveis.
Talvez eu fizesse as veias dele implodirem.
Ele merecia morrer de overdose.

Oh, por favor, parem com isso.
Eu só queria viver. É só isso.
Mas acho que estão tentando me sacrificar.
Vou me fazer boneca de pano
recortada em lençol, encostada num travesseiro na sua cama
E eu vou ser uma daquelas bonequinhas que têm um cheiro bom.

Assim eu não vou me machucar, e vou ficar por ali por bastante tempo
que é mais do que eu posso ficar agora
é mais que eu poderia aguentar, de fato.
Ia ser uma overdose. E aí eu seria Deus, não?
E, se eu fosse, eu me jogaria contra o sol,
e certamente não precisaria de asas de cera e penas.

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