terça-feira, 2 de agosto de 2011

Manifestos de Menina #3

Acho que tenho que jogar algumas coisas fora - e eu não estou falando de bonecas.
Por isso, dias atrás eu joguei palavras fora. Palavras que estavam acumuladas, densas, palavras que ulceravam meu ventre e deixavam minha língua grossa. Palavras que me impediam de falar.
Quando eu disse que gritei muito, eu não estava usando metáfora. Eu realmente gritei, eu quebrei um corrimão. E teria quebrado mais algumas coisas se pudesse.
Eu vim escrevendo em grafite no papel a noite inteira. Palavras aleatória das quais já nem lembrava. E entre "não crucificarei as coisas que você faz" e "olá, escuridão, minha velha amiga, eu vim falar com você de novo", eu me perdi.
Tem lágrimas deixando meus olhos, se quer mesmo saber.
Viver é perder e morrer um pouco a cada dia.
Eu me sinto frágil e vulnerável. Eu ando com um medo terrível do tempo, ou do fim dele.
Eu. Só sei falar disso, porque é só disso que eu entendo, no fim das contas.
Presto atenção nas pessoas, nos jeitos, nos olhares, nos sorrisos, nas coisas pras quais elas torcem o nariz... E eu sei tanto sobre elas, sem nem mesmo com elas conversar... Sei do que está na superfície, e tenho vislumbres do que está mais no fundo.
E eu passo despercebida no ônibus lotado. Eu atravesso a rua, e o vento e os morros e as folhas das árvores me dizem coisas, e ninguém para pra olhar. Nem o sol chama mais atenção, e eu fico aqui sozinha reparando nessas coisas todas.
E quando eu digo pra você "te amo" eu estou sendo sincera.
Eu só queria poder dizer isso pra mais pessoas sem ser mal interpretada.
Porque eu fico cativada por muitos. Porque pra mim, o simples fato de você existir já me faz te amar. O fato de ser você um ser humano e de poder rir, chorar, falar, gritar, olhar...
As palavras me atropelam. Os sentimentos, idem.
O tempo corre e eu sigo ele aos tropeços, o relógio tem braços no lugar dos ponteiros, braços esfumaçantes e elásticos, que puxam e nos afogam nos fluidos da existência.
E por incrível que pareça, hoje não me sinto só.
Cada olhar é significativo.
E se você lê isso, eu te amo.

3 comentários:

Chrystian Wilson Pereira disse...

"Eu me sinto frágil e vulnerável. Eu ando com um medo terrível do tempo, ou do fim dele."

Começo a notar em você uma obsessão pelo tempo. Uma historiadora nasce aos nossos olhos... Lindo post, que me inspirou a fazer (se me permites) uma referência invisível a seu texto no meu blog.
As gavetas de Ana Terra devem estar sempre abertas. Quem se apaixona pela arte da escrita como você é um eterno apaixonado pela vida...

Michelle Martins de Oliveira disse...

"Fluídos da existência" SUALINDAA!! (Dá altos título) Eu amo você <3
Cada palavra que eu acompanhei sendo ressignificada por você e cada leitura sua me mostram o quanto você é grande. Sua historicidade em suas gavetas, em suas andanças são deliciosas de ler.
Quanto mais se aperta a fruta, mais suco saí. E o suco que sai dos teus textos são deliciosos!

Lia disse...

uau.

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