terça-feira, 30 de agosto de 2011

Do teu cigarro que vejo de longe

As palavras estão brotando dos meus dedos desde ontem
e faz tempo que não escrevo sobre você
seja nos poemas ou nos meus incontáveis cadernos.
Que descaso!
(Mas saiba que o tempo é relativo...)

Eu sei que aprisionas um poeta
aí e algum lugar
E eu sei que não vais mostrar
Eu não quero mais de difamar
mas isso não é uma promessa.

Eu fico triste quando seu time perde
e quando você fica pensativo;
E nas vezes em que você fica deprimido
eu me parto ao meio por não ser o suficiente pra te confortar.

Eu não sei se você percebe isso
Talvez eu seja meio reticente
e complicada, e chata
mas eu gosto do silêncio que fica entre a gente
quando saímos junto e fica meio sem assunto.

Quando estou olhando pela janela do ônibus
E eu faço aquelas expressões múltiplas
porque estou pensando mil coisas
sinto teus olhos pequenos observando
com teus assaltos momentâneos às minhas pulseiras
e a nossa implicância eterna.

Tu sopras a fumaça do teu cigarro na minha cara
E fica por isso mesmo
porque antes eu tossia e agora eu até gosto
desse cheiro que se mistura ao teu.

Eu vejo os teus cachos de longe
Te vejo rindo com teus amigos
Enquanto os ônibus verdes – horrorosos! –
Passam indiferentes.

Talvez algumas senhoras
Pensem que e uma pena que um menino tão novo
Tão lindo
Esteja lá com um cigarro entre os dedos
Soltando aquela fumaça.

Mas o teu rosto expressa a tua indiferença
E eu te sigo com os olhos e sorrio pra ti
Sem resposta
Porque sabe-se lá o que está se passando na tua cabeça
Nestes momentos únicos
Rápidos
Singulares
Que são te observar
do meu banco no ônibus
O teu singelo ato de fumar.

(Outro da série "Viu Como eu Escrevo Sobre Ti?")

Na caixa de papelão

Debaixo do viaduto
o veículo passa
Debaixo do viaduto
onde meu coração mora
abrigado numa caixa de papelão
de um produto qualquer.

Ao lado dele a morte
brincando às margens do rio
nos contos dos escritores
nos versos dos poetas
ela pretende ser bonita;
E no coração dos loucos
aqueles que amam demais
ela é a satisfação
e a eterna busca.

Estado Original

(As gotas batendo na janela
do ônibus de andas atravancado
me dão a inspiração
E o desafio de escrever
muitos poemas em pouco tempo
o que o amor aos amigos não faz?)

A vida se desenrola
novelo de lã
Sem nenhuma estrela que possa guiar
vou escrevendo poesias jamaicanas
peço emprestado o estilo do amigo
(na verdade
o estilo inicial
minha poesia
em seu estado original:
algumas rimas
entremeadas de cacofonia)
Depois de tanto tempo
tendo sublimado palavras
em rimas e versos
Retorno ao estado mais puro
que a poesia pode assumir.
O sentimento cru
nu
Diante dos teus olhos.

Manifestos de Menina #5

O que me preocupa
é muito mais uma impossibilidade
de falar
que a perspectiva da fala.
As pessoas nunca parecem estar
preparadas pro que tenho a dizer
um sem-número de palavras é despejada
indesejavelmente
nos ouvidos deles
palavras eletrônicas
cacofônicas
feias e perturbadoras.
palavras que enquadram.
Mas são as minhas
- amorosas -
que eles se recusam a aceitar
por certo meus sentimentos
(por serem demasiado intensos)
matizam de roxo
os pensamentos
em tons pastéis.
(Decidi.
Vou emudecer.)
Talvez eu devesse falar
Talvez eu devesse mostrar
que sou dramática.
Mas o mundo não entende...
As pessoas só admiram
os artistas
os poetas
os loucos.
De longe.

domingo, 28 de agosto de 2011

Dos becos de sextas à noite


As danças e as bailarinas
chapinhando as sapatilhas nas poças
de água são feitas
e distribuem-se pela calçada.

A dançarina atravessa a rua
o ponto de ônibus está vazio
os carros passam indiferentes
buzinas tocam
dióxidos, monóxidos
carbono.

As placas indicam lugares
mas as direções são múltiplas
e multifacetada é a pedra que brilha em seu pescoço
O vento brinca nos cabelos
e os olhos estão arregalados
procurando o caminho no escuro do beco.

Tem amigos voltando na contramão
ela não se importa porque não é por eles que procura
Segue seu rumo e acha enfim o que seus olhos pediam
uma visão que inspira
olhos que fitam
decifram
e que depois descrevem.


sábado, 27 de agosto de 2011

Um poema direto pra você entender bem

Reclamaste um poema
E eu nunca pensei
que isso importasse pra ti.

Eu que nunca tirei uma foto tua,
eu que nunca desenhei pra ti.
Eu que nunca te desenhei
Embora os teus traços eu conheça bem.

E tu me conheces tanto!
Até sabes que eu não tenho cheiro
E o gosto do meu pescoço
E o do meu coração
dentre tantos outros gostos.

Eu sempre te vejo de longe,
e às vezes tu nem olhas pra cá
E eu te vejo errado às vezes
e tu me imitas nisso.

Entristece-me ver
Que poucos compreendem
Que tu és tão grande
E que és tão profundo.

E que às vezes eu me assusto
Por não poder te abraçar
E que às vezes eu me frustro
Por não ter como te proteger

E você não acha que tenha que ser protegido
E esse teu orgulho é tão bonito
Eu escrevo e vou ficando desesperada
Porque vêm as palavras me atropelar
Como sempre o é quando o assunto é você.

Essas palavras que precisavam ser escritas
Pra que aquelas que você merece
Possam ser ditas.


(Quer que eu desenhe? Te amo.)

Perdoa-me

Reclamaste uma poesia
Se é poesia que quer...

Pode parecer
que nunca escrevo poemas pra você
e que os que existem
falam mal de quem tu és.

Eu te expliquei que isso é fruto do conflito
Mas acho que isso não bastaria mesmo pra mim.
E eu começo com esse pedido de desculpas
porque lendo novamente meus poemas...
Acho que tens razão.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sol furtivo

Eu falei que
"Amanhã eu acordo melhor".
Eu acordei, e o sol também
como há dias não acordava.
Como brindasse uma decisão -
a de melhor acordar.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

E agora eu me sinto culpada.

Manifestos de Menina #4

Depois de noites insones pensando nas tuas palavras
sempre elas, as que mais me marcam
e sempre elas que me choram no peito
a amarga dor, como derrota.

Por mais que outros lábios e outras mãos
digam e digitem palavras sobre mim
nestes últimos dias elas só me fazem esquecer.

O dia passou com chuva
há dias que meu quarto está uma bagunça
até o ar aqui está parado
e eu não me importo de não respirar direito.

Eu vou dormir e só vou acordar
quando tiver que sair de casa
e aí vai ser outro dia
em que eu vou te esquecer por umas horas
pra depois chegar em casa e você estar lá
você que era meu refúgio e que agora me faz mal...

domingo, 21 de agosto de 2011

A Menina que não tinha Cheiro

Ana, Ana
você sabe que eu vou te deixar
e eu sei que tu não vais chorar
Por sentir tudo, não sentes nada

Ana, Ana
essa canção é pra você lembrar
pra si mesma que o amor
pode não ser nada

Ana,
Teus poemas se murcham em flor
folhas cobrem o teu cobertor
sem abraço que possa acalmar

Tua alma, teu corpo, menina,
mesmo amigos, piano ou morfina
Nenhum livro te conta uma história
pra te confortar

Ana, Ana
Histórias te esperam no bar
apesar disso não vais evitar
que mágoa te devore

Ana, Ana
Se tu escreves é pra te lembrar
que um dia pode sofrer
sempre por bobagens

Ana,
A vida é mais que lamentar,
que sorrir ou fingir se agradar
com as coisas que fazem os outros

Se já não consegue escrever
explicar e até mesmo prever
as cartas não te dizem...
O tarô te falha,
o riso te falta...
Ana.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Para ti

Vais andando pela rua cabisbaixa
Teus olhos azuis fitam a calçada
Acompanho com os meus a tua marcha
Castanhos, eles se derretem sobre tua caminhada

Às vezes tu te sentes tão sozinha!
Eu não sou o suficiente para salvá-la
Tu odeias que te vejam como menina
És complexa e volúvel como a água.

Esta água transparecida em teus olhos,
Esta fluidez que ora é límpida, ora é turva
Me confunde e me convida a me afogar.

E eu queria estender meus braços e ampará-la
Gostaria de poder compreendê-la
Mas não consigo proteger nem a mim mesma
Desse amor que começa a me artomentar.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Cocotes.

Preciso gritar, preciso gritar mais e de novo
Só que, dessa vez, com outra pessoa.
Às vezes eu me pergunto se eu amo as pessoas erradas
Se não amo errado
E quando eu me convenço de que não existe amar errado
Quando eu percebo que todos merecem meu amor
Vem alguém e me quebra no meio.

Valeu aí.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Faça pouco caso de mim que eu te mato da minha vida.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Manifestos de Menina #3

Acho que tenho que jogar algumas coisas fora - e eu não estou falando de bonecas.
Por isso, dias atrás eu joguei palavras fora. Palavras que estavam acumuladas, densas, palavras que ulceravam meu ventre e deixavam minha língua grossa. Palavras que me impediam de falar.
Quando eu disse que gritei muito, eu não estava usando metáfora. Eu realmente gritei, eu quebrei um corrimão. E teria quebrado mais algumas coisas se pudesse.
Eu vim escrevendo em grafite no papel a noite inteira. Palavras aleatória das quais já nem lembrava. E entre "não crucificarei as coisas que você faz" e "olá, escuridão, minha velha amiga, eu vim falar com você de novo", eu me perdi.
Tem lágrimas deixando meus olhos, se quer mesmo saber.
Viver é perder e morrer um pouco a cada dia.
Eu me sinto frágil e vulnerável. Eu ando com um medo terrível do tempo, ou do fim dele.
Eu. Só sei falar disso, porque é só disso que eu entendo, no fim das contas.
Presto atenção nas pessoas, nos jeitos, nos olhares, nos sorrisos, nas coisas pras quais elas torcem o nariz... E eu sei tanto sobre elas, sem nem mesmo com elas conversar... Sei do que está na superfície, e tenho vislumbres do que está mais no fundo.
E eu passo despercebida no ônibus lotado. Eu atravesso a rua, e o vento e os morros e as folhas das árvores me dizem coisas, e ninguém para pra olhar. Nem o sol chama mais atenção, e eu fico aqui sozinha reparando nessas coisas todas.
E quando eu digo pra você "te amo" eu estou sendo sincera.
Eu só queria poder dizer isso pra mais pessoas sem ser mal interpretada.
Porque eu fico cativada por muitos. Porque pra mim, o simples fato de você existir já me faz te amar. O fato de ser você um ser humano e de poder rir, chorar, falar, gritar, olhar...
As palavras me atropelam. Os sentimentos, idem.
O tempo corre e eu sigo ele aos tropeços, o relógio tem braços no lugar dos ponteiros, braços esfumaçantes e elásticos, que puxam e nos afogam nos fluidos da existência.
E por incrível que pareça, hoje não me sinto só.
Cada olhar é significativo.
E se você lê isso, eu te amo.