segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Tempo e o Vento

Eu não sei sobre o que escrever hoje. E na verdade começo mais estas incertas linhas sem saber.

Talvez possa lhe parecer vazio que eu procure por palavras quando na verdade o certo deveria ser que elas viessem até mim como uma visão, uma profecia – uma forma de clarividência fluída e algo mística.

Só sei que isso aqui é como que uma carta, para que possam saber o que se passa por aqui.

Preciso dizer que tenho assistido a Lua há dias – ou melhor, há noites (embora ela tenha dado o ar da graça mesmo que ofuscada pelo sol no céu azul claro algumas vezes nesta fase). Ela tem sorrido para nós. Como um gato malicioso.

Você acredita em destino?

Às vezes me pego acreditando nele, sim, como quando disponho as cartas belamente ilustradas na mesa (ou mesmo no meu colchão), esperando que elas me digam o que fazer, ou qual a melhor forma de agir. Sei que parece bobo, e talvez até mesmo seja. Mas acho que as cartas são meu psicólogo, fazendo com que, no fim das contas, eu prórpia ache a solução dos meus problemas e, mais que isso, a resposta para meus questionamentos.

Hoje eu estava assistindo a um documentário sobre a gravação do disco “The Dark Side of the Moon”, de uma das bandas mais surpreendentes que a humanidade já viu passar sobre a Terra, Pink Floyd, e, ao falar sobre a canção “Brain Damage”, Roger Waters disse algo que me fez concordar plenamente.

Ele disse que, quando escreveu a música, ele estava pensando no gramado de um parque (ou praça, agora não lembro) em Cambridge, Inglaterra, e em como é injusto e inútil que as pessoas plantem grama e não permitam que qualquer ser humano possa pisar nela, deitar nela, “jogar bola nela”, deitar, dançar neste gramado. Como se pisar na grama fosse loucura, “The lunatic is on the grass, the lunatic is on the grass”.

Pois bem. “Não pise na grama” sempre me pareceu bem idiota.

Eu esta pensando ontem na idéia de tempo, e na verdade eu estava tão mergulhada na confusão mental das duas últimas semanas que na verdade a idéia ficou apenas pairando sobre minha cabeça sem que eu no entanto pudesse a chegar a qualquer conclusão.

Primeiro eu decidi que o tempo me odeia. Ele sempre faz as coisas começarem tarde demais e acabarem muito cedo. Faz com que eu conheça as pessoas pouco antes de elas irem embora. É sempre assim. Talvez seja culpa minha. Talvez eu mesma as faça ir.

Outra coisa que Waters disse que muito me tocou e me fez ficar refletindo foi algo sobre a vida, e acho que é por isso que o parágrafo anterior foi sobre minha relação com o tempo.

Ele disse que, numa certa altura da vida ele se deu conta de que a idéia de que a adolescência e a infância eram preparadoras para a vida que começaria apenas quando se atingisse a idade adulta era completamente estúpida (estas duas últimas palavras são minhas).

E aquilo me chocou tanto... Porque, de fato, até dois meses atrás eu estava esperando a vida acontecer quando, sei lá, quando eu saísse da casa de minha família ou algo do tipo.

Então eu, vendo o documentário, dei-me conta de que eu concordo com Waters quando ele diz que “a qualquer momento da vida você pode mandar no seu destino”. E foi isso que eu comecei a fazer quando comecei a obedecer minhas prórpias vontades uns tempos atrás.

Meus planos são completamente diferentes agora. Quero dizer, meus objetivos, de certo modo, são os mesmos, mas “the way”, o caminho, a maneira (eu amo essa palavra, “way”, que significa ambas as coisas; é um jeito de dizer que dois “ways”, dois caminhos, podem ser maneiras, “ways”, diferentes de se obter a mesma coisa) é diferente porque agora eu sei que eu posso agir. E Roger Waters verbalizou isso por mim perfeitamente. Acho que tenho uma dívida com esse cara, hein.

Então eu pensei naquela minha idéia boba de que o tempo me odeia. Tratar o tempo como uma entidade é bem a minha cara mesmo.

De qualquer modo, o tempo nada tem a ver com o fato de as pessoas irem embora ou de as coisas acabarem. As pessoas têm intenções e planos, ou não têm plano nenhum, e, antes de qualquer coisa, elas têm sentimentos próprios que independem dos meus.

Ora, isso é óbvio.

Mas hoje eu me dei conta de como é difícil pra mim ignorar motivos. As coisas não precisam de muitas justificativas pra que elas aconteçam. E, mais ainda, me dei conta de que as coisas que acontecem às pessoas que amo não necessariamente têm a ver comigo, e que o fato de alguém ter que ir embora não quer dizer que seja algo relacionado a mim, mas a ela mesma.

Ora, isso é óbvio!

As pessoas têm que sair, pra que outras possam vir. Mas confesso que eu preferiria que todas pudessem ficar. Eu gosto de dinamismo, mas... Eu sou muito apegada.

Eu sinto paz... Acho que eu recebi outro tiro de partida de presente. Mas foi um presente de mim mesma. Agora é "run rabbit run".

“The lunatic is in my head, the lunatic is in my head”, “o lunático está na minha cabeça”, e ele me faz enxergar. “You raise the blame, you make the change”, “você ergue a lâmina, você faz a mudança” - eu faço uma incisão no tempo e interfiro na minha vida, enfim.

Eu penso diferente de ontem.



"Sempre que me acontece algo importante, está ventando..."

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