domingo, 26 de junho de 2011

Da morte e do tempo - o nada ácido

Em parte de mim ecoa o passado não muito distante;
noutra parte ressoa a voz de um presente delirante,
um agora entristecido que simplesmente não quer ser.

Lamuriando entretido, segue o cotidiano lavando roupa.
O coração que se apega a um dia-a-dia fracassado.
Corta à faca o talo verde que joga na panela borbulhante.

Foi minguando, virando resto.
Fina lasca de bordas suavizadas e sem fio
e as cascas espalhadas pelo chão.

Limites esfumaçados, casas sem telhas e o vento varrendo o sótão.
Esses ares todos, movimentados e frios.
Esses ventos todos, arredios e arrepios.

Arrepios infinitos, voltas infinitas, ventos intermináveis.
Lágrimas intermináveis.
Dores... E cada vez mais terra fabricando os tijolos.

Das paredes volta batida a voz que grita.
São os ecos das vozes de outrora - esquecidas.
Esquisitos gemidos incontíveis - e por vezes inaudíveis.

E esse passado gritante, cortante vento limpo,
O agora entristece o músculo pulsante
E corta causticante na garganta as entranhas

E mata aos poucos.

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