domingo, 3 de abril de 2011

Da Morte ao Redor

Um pássaro acaba de bater na janela.
Provavelmente ele está caído no chão,
morto, lá embaixo.
E provavelmente minha gata
vai brincar um pouco com os restos dele.
E ela não é má por isso.

Eu tenho pensado muito
e a última semana passou acenando para mim como um borrão.
E eu me ocupei apenas
em sentir um enfado tremendo
em tudo que passava ao meu redor.
Não quero mais ter que me sentir assim.

E o mundo está todo do avesso,
e hoje eu queria apoiar uma revolução.
E parem de falar de overdoses e drogas,
eu já entendi que vocês são uma pane químico-biológica
e um desastre mental, não os culpo por isso,
mas por favor,
falem alguma coisa diferente e interessante.
Vocês não são artistas.

E eu acabo de ouvir um tiro
que parece ter sido dado do outro lado da rua
minha percepção pereceu, tensa, por um segundo
e meu coração se expandiu e logo se recolheu de aflição
porque a perspectiva de alguém morto a alguns metros de você é assustadora

E todas as reflexões puramente teóricas parecem bobas diante disso.


Versão em inglês mais tarde (:

1 comentários:

Chrystian Wilson Pereira disse...

Mais uma vez, o teu texto parece que aproxima o leitor e depois o repele no final.
Um pouco de suavidade, um toque de arrogância... São esses pequenos traumas do cotidiano, que acabamos não dando muita atenção e depois crescem até nos engolir por alguns (longos) instantes.

Tuas reflexões são sempre bizarras e muito boas :)

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