sábado, 26 de março de 2011

Desabafos

Eu me sinto muito medíocre por sentir mais que pensar. Mesmo quando penso eu sinto; mesmo quando exponho opiniões eu passo pela emotividade.
Odeio, mas, por outro lado, eu cativo muitas pessoas por parecer tão intimamente e sofridamente ligada às minhas palavras. Eu amo todas elas - quando eu as pronuncio - porque elas vêm de uma paixão, de uma necessidade de sair de mim.
E, tristemente, a paixão é muita - pela vida, pelos escritos, pelas pessoas, e, mais recentemente, pela História.
E é claro que poucos entendem.
Aos que pelo menos tentam, obrigada.
E aos que escutam incessantemente, sou-lhes eternamente grata.

sábado, 19 de março de 2011

Epopéia Matrimonial

A luz fraca da lâmpada se despejava sobre seus cabelos soltos.

Eram sete da noite e ela estava grudenta com o suor. O calor a deixava enjoada. Sentou-se no chão frio e aproximou o ventilador de si. O ar estava imóvel lá fora. Seus braços nus pousaram no piso e um arrepio percorreu-lhe o corpo, e a penugem dourada de sua pele se eriçou.

Sentia-se cansada e ultrajada. O casamento valeria aquilo tudo? A velha quebrara a perna, pois bem. Tivera um acesso de raiva, contavam os vizinhos. Mas seus filhos acreditavam que ela caíra.

Sogra. Esta palavra por si só carregava uma aura agourenta. Ela só não imaginava, quando se apaixonou por ele, o marido, quando ele viajara para sua cidade e passara por ela na festa de São João, com suas barraquinhas de pipoca e maçã do amor, com suas danças, os vestidos e chapéus todos, as brincadeiras e os copos e bandeirolas de diferentes cores, que a mudança para outra cidade, numa região completamente diferente do país, faria dela uma mulher casada com uma filha linda - e uma sogra louca.

Era velha essa sogra, muito velha e maltrapilha. Tinha dinheiro suficiente para sustentar-se e ainda dava alguma ajuda financeira aos netos e a um dos filhos, que fora morar no Rio Grande do Sul, que pescava e mal podia sustentar-se. Religiosa fervorosa, mas cheia dos próprios dogmas ininteligíveis e inventados em sua mente doentia, ela atormentava todos a seu redor – filhos, netos e, principalmente, as noras, mesmo aquela que se recusava a falar-lhe um cumprimento que fosse.

Dava dinheiro a todos eles, isto era fato. Mas que era esta ajuda comparada ao dia que passara a nora, limpando a urina e o corpo daquela senhora maldosa?

Ela matara muitos gatos ao longo da vida. Cachorros também, por que não? Filha de um alemão violento, a única dentre as filhas e os filhos que era capaz de enfrentá-lo, a velha, quando ainda não o era, nadava até as pequenas ilhas que se via da areia da praia e voltava, Corria atrás de homens feitos de facão na mão, ameaçando-lhes de morte caso entrassem em seu terreno novamente. Desfazia negociações que o marido acertava sem consultar-lhe, e assim viviam pobres, os quatro filhos apanhando e sendo criados cheios de medos e inseguranças, vindo a se tornar maridos machistas, porém disfarçados de uma mansidão que por muito tempo enganou suas esposas – e a filha de um deles.

Deitada o chão de seu quarto, chorando baixinho, humilhada, cansada, uma mulher que estudara muito. Tinha um doutorado nas costas, mas e aí? Quando pensava no casamento, quando pensava naquela festa de São João, nos anos que passou em paixão, pensava “Deus, como eu era apaixonada” de uma forma tão surpresa... E a sobrinha ficava apavorada com o que aquela tia emprestada agüentava vindo daquela velha.

Ali deitada no chão do quarto, o ventilador rodando e fazendo barulho, pensava na filha e na própria mãe. Pensava se não voltaria à terra onde nasceu, a terra quente e seca do nordeste amarelo e laranja que amara um dia, mais do que amava seu marido agora. Onde era feliz e onde fora feliz com seu futuro marido. E agora...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Hi, I'm a vampire called Pandora

Alguns dizem que só podem tirar seus escritos da dor. Pois bem. Cá estou eu.
O mais irônico de tudo é que eu fico recordando as vezes em que senti empatia e raiva por aquelas que abdicavam de si mesmas ou de seu orgulho. Pela felicidade do outro. Pelo amor do outro.
Encare os fatos, você nunca foi racional, Ana.
Você é Pandora. A emoção e o sentimento. Marius é a razão. E é também o orgulho.
Pandora e Marius passam a eternidade afastados, um desejando o outro, mas sem viver juntos por saberem que a convivência seria dolorosa.
Mas ambos reconhecem, cada um em sua autobiografia, que foi um dispercdício de tempo e de amor.

sábado, 12 de março de 2011

Se querem um conselho, não tenham irmãos mais novos.

terça-feira, 8 de março de 2011

Aquecimento global

Às vezes o vento passa
e leva embora coisas que -
eu achava -
eram castelos de pedra
mas na verdade
eram só pózinho
de estrela
ou nem isso.

O gelo derreteu.

domingo, 6 de março de 2011

Das folhas de que eu falei certa vez

Nunca chorei por ele - a não ser hoje.
E sim, ele vai saber.
E talvez algum sorriso de triunfo
escorra pelos lábios deliciosos dele
Esses lábios orgulhosos
Esses olhos insondáveis -
mas só à primeira vista.

A verdade às vezes dói,
e você não quer ouvi-la.
Mas essa verdade é só um pouco incômoda pra você.
E eu me esforço em escondê-la
nos sorrisos mais doces,
nas risadas mais altas,
nos fingimentos.

Meu cabelo despenteado
e eu nem me embriago - ainda.
Estou guardando
pro final do que me resta de dignidade.
Almejar em silêncio falho -
uma lacuna nos meus pensamentos.
E tudo gira em volta.

Mas afinal eu sucumbo ao amor próprio
que, sim, eu ainda tenho.
No orgulho que ora é muro, ora é farelo
Meus amigos dizem que eu tenho muito disso
mas eu ignoro todo ele
quando se trata do heroísmo de outrem.

Toda a ilicitude desses atos bobos,
essa bruma toda que te cerca
As folhas da dama que corre,
agora sei o que significam.
E eu escrevia disso tudo sem saber;
E nenhum de vocês pode entender -
E nada disso fazia sentido.
Mas agora é parte da minha História.

sábado, 5 de março de 2011

Corra, dama, corra

Uma vez fiz um poema em inglês. Era também uma música... E era o primeiro de alguns...
E nunca postei uma tradução.
Então ei-la aqui, pra que entendam as próximas postagens (:
(A ogirinal você vê em: http://agavetadeanaterra.blogspot.com/2009/11/ladys-scape.html)

Corra, dama, corra

O céu não está caindo
Sua vida caminha para a perfeição
Mas sempre há um demônio
correndo atrás de você.

O Verde Caminho de sua vida
Os Vermelhos Lábios de sua boca
O Azul-Esverdeado de seu oceano
O Escuro Profundo de você.

Corra, dama, corra.
Seu cabelo está caindo
está se transformando em folhas.
Corra, dama, corra,
Seu sangue está correndo
pelo que você acredita.

Nunca olhe pros tempos passados
mas também nunca corte as cordas -
Sempre há um caminho perdido no labirinto.
Se você partir isso tudo, como voltará?

Corra, dama, corra.
Sua face está pálida,
você está se transformando num espectro.
Corra, dama, corra.
Tudo cai quando você vem
trazendo-nos neve e chuva.

Seu cabelo verde está caindo
está se transformando em rosas
Cuide dele -
ele deve ser seu agora.