sábado, 12 de fevereiro de 2011

Gelo - Parte I

Percorrendo os corredores do mercado iluminado,
Meus passos são automáticos.
Ando com os olhos semi-atentos aos frascos e caixas
Pois há tantas pessoas aqui
E no entanto nenhuma delas parece me notar
A não ser quando, com meu carrinho de compras,
Eu interrompo a passagem delas.

Algumas mulheres estão muito bem vestidas
E estão acompanhadas de homens que devem lhes parecer bonitos
Embora me pareçam monstruosos demais
Para que alguém deste planeta se interesse.
Fico me perguntando até que ponto a felicidade delas é verdadeira
E se ela é profunda como a minha às vezes é.
Mas acho que elas só estão indo àlguma festa.
Veja só todas aquelas latinhas de cerveja.

E está se tornando necessário que eu ignore alguns fatos
Como por exemplo aquele em que você está esfriando.
Como aqueles potes no congelador no corredor ao lado,
Há névoa transbordando de sua boca e ela é fria como gelo.
Eu não sinto mais as mãos,
Acho que é hora de descongelar o freezer.

E na realidade eu não sei qual é o problema,
Porque eu não queria deixar você pra trás...
Mas parece que você não se importa tanto assim.
Será que isso é mesmo tão inevitável como todos dizem?
E eu devia mesmo não amá-lo?
E mesmo que eu não veja porque deixar de fazê-lo
Sei que é inútil o amor por ti.
Porque não poderias lidar com isso.
Não vindo de mim.

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