quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Agora é definitivo:

Eu só queria um pouco de paz
Talvez a encontre
em algum lugar de mim mesma
sozinha de novo
onde tudo deve estar.

Tudo está em seu lugar quando não tenho ninguém.
Mas isso não significa felicidade.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Gelo - Parte I

Percorrendo os corredores do mercado iluminado,
Meus passos são automáticos.
Ando com os olhos semi-atentos aos frascos e caixas
Pois há tantas pessoas aqui
E no entanto nenhuma delas parece me notar
A não ser quando, com meu carrinho de compras,
Eu interrompo a passagem delas.

Algumas mulheres estão muito bem vestidas
E estão acompanhadas de homens que devem lhes parecer bonitos
Embora me pareçam monstruosos demais
Para que alguém deste planeta se interesse.
Fico me perguntando até que ponto a felicidade delas é verdadeira
E se ela é profunda como a minha às vezes é.
Mas acho que elas só estão indo àlguma festa.
Veja só todas aquelas latinhas de cerveja.

E está se tornando necessário que eu ignore alguns fatos
Como por exemplo aquele em que você está esfriando.
Como aqueles potes no congelador no corredor ao lado,
Há névoa transbordando de sua boca e ela é fria como gelo.
Eu não sinto mais as mãos,
Acho que é hora de descongelar o freezer.

E na realidade eu não sei qual é o problema,
Porque eu não queria deixar você pra trás...
Mas parece que você não se importa tanto assim.
Será que isso é mesmo tão inevitável como todos dizem?
E eu devia mesmo não amá-lo?
E mesmo que eu não veja porque deixar de fazê-lo
Sei que é inútil o amor por ti.
Porque não poderias lidar com isso.
Não vindo de mim.

Ampersand - por Amanda Palmer

traduzindo: &

Eu ando por minha rua à noite
As luzes da cidade são estranhas e violentas
Estou confortada pelos sons se aproximando de caminhões e sirenes
Mesmo que o mundo seja muito ruim
Há aqueles correm para salvar quem está morrendo
E mesmo que eu seja inútil a eles
Faço minha parte simplesmente sorrindo.

(...)

E não vou viver minha vida de um lado de um "&"
E mesmo se eu for com você, não sou a garota que você imagina que sou
E não vou me aliar a você
Porque vou acabar perdendo minha voz completamente... não!
Apenas irei assisti-lo
Porque eu não sou a única louca aqui (yeah).

Gastei anos da minha vida
Agonizando ao fogo
Começou quando eu achei que ser forte significava ser retardadora de chamas
E agora, para por o caso das feridas em questão
Quão autênticas elas são?
Tem sempre alguém me criticando
"Ela apenas gosta de pagar o hospital".
Deitada na minha cama
Lembro do que você me disse
"Não existem coisas como acidentes".

Mas você tem a lápide toda pronta
Toda polida e bonita
Sua satisfação doentia
Aqueles "ele" e "ela" combinando.
As margaridas estão no lugar
Em pares, ao horizonte.
Suas mãos cheias de ketchup
É legal que você está tentando.

Enquanto acordo tossindo
A chama acabou com o quarteirão
Mas poeticamente parou no meu apartamento
Meus companheiros de casa dormem sonoramente
E ninguém merece morrer
Porém você seria terrivelmente inflexível
Se eu não amasse você
Então você só tem uma alternativa

Posso ser romântica
Posso arriscar minha vida por isso
Mas não morrerei por você
Você sabe bem que não sou nenhuma Julieta
Não vou assistir você se queimar, querido
Não, não vou pará-lo
Porque eu não sou a única louca aqui, yeah
Eu não sou a única louca aqui, yeah
Eu não sou a única louca aqui.

Eu simplesmente amo essa música e simplesmente idolatro a Amanda Palmer.
Eu me identifiquei demais quando conheci
Dresden Dolls e com as músicas dela em carreira solo também.
Ampersand talvez seja aquela com a qual eu mais me identifique.
Então, tá aí, a inspiração pro poema/texto - não sei ainda - que postarei :)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Rainha Hematófaga

É questão de absorver.
Sangue, imagens, aromas.
Almas.

A velha analogia do véu,
O velho fato da morte.
A velha.

Mas ela não morre, a velha.
Ela só continua, vagando,
Gritando seus fantasmas por aí.

Seu cristo surrado
Sua crença batida
Sua vida encarquilhada.

Encarquilhada ela própria,
Caquética ela.
Forte, ainda que velha.

Mesmo viva, já morta.
Mesmo morta ainda absorve:
forças, almas, felicidade.

Pensei nesse poema pro Letras no Exílio, mas quero registrá-lo aqui também.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

De vento pela Ana Terra –
“Sempre que me acontece algo importante, está ventando”.
Folhas, sim, por minha paixão por elas.

A baunilha vem dos meus cabelos;
A canela vem da minha língua.
E o café da xícara mesmo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O fascínio dos olhinhos brilhantes
Corrompidos pelo choro.
A boquinha de botão de flor aberta aos berros;
As lágrimas sem sentido escorrendo
Pela face que outrora parecera angelical.

Todo o amor do dia se esvai
Junto com os pensamentos
que transbordam de minh’alma
Aqueles em que eu sou.
Aqueles que ninguém vê.

Não sei se queria outra vida.
Mas às vezes penso que sim.