terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Eu só queria um pouco de paz
Talvez a encontre
em algum lugar de mim mesma
sozinha de novo
onde tudo deve estar.

Tudo está em seu lugar quando não tenho ninguém.
Mas isso não significa felicidade.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Da Raiva que Sinto

Estou tentando pôr em palavras bonitas o que estou sentindo. Mas hoje não vejo poesia nos meus sentimentos. Minha visão poética ficou estreita pelos fatos.
Sinto raiva. E mesmo que a raiva às vezes seja um bom combustivel poético, não consigo escrever agora. Não com essa intensa raiva que me rói as entranhas. Porque é bem essa a sensação. É um ácido - e talvez seja mesmo, gastrite pra quê te quero.
Este não é definitivamente um texto comum a mim mesma. Não é bem meu estilo.
Eu gosto de um drama. Gosto de romantizar as coisas, mas e quando falamos em natureza humana, em coisas animalescas e carnais e nojentas? Não são nojentas, eu sei, e eu não penso assim, mas por ora me parecem horríveis de se pensar. Quando os fatos são nus, crus, e seus sentimentos tão primitivos, o que se pode dizer de romântico a respeito?
Não posso falar em desilusão. Porque ela só ocorre quando antes houve uma ilusão, creio. Não tive ilusões. Pulei direto pra essa segunda - e lamentável - parte.
E o que dizer do fato de se sentir uma completa idiota?
A raiva me faz repetitiva. E o amor também. Ou seria quase-amor?
Por ora é só.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Cleyton - Carta a um professor

Eu tava aqui em casa pensando em ti e nas coisas que tu já me ensinaste e resolvi que, neste último ano, tu mereces algo como isso que estás lendo agora. Algo que fosse uma junção de tudo aquilo que idealizei e nunca coloquei no papel. Textos de aniversário, de agradecimento, de amor.

Porque tu foste o que mais me marcou dessa fase que acabou pra mim. Outras pessoas vão entrar na tua vida agora, alunos bem mais brilhantes que eu jamais fui ou serei. Acho que mereço algo escrito pra marcar um fim de ciclo, não é?

Tu vives brincando comigo, dizendo que eu vou sentir falta do colégio. Como se eu não soubesse disso! Aliás, como se eu quisesse sair dali.

Eu vou sentir tua falta. Das tuas aulas, sempre nas quartas-feiras - tenho a impressão de que quartas são o dia da História, mesmo quando na grade de horários ela não consta -, ou nas sextas - outro dia pra ter aula contigo -, dos filmes (repetidos ou não), daquela tua fissura por Legião que, aliás, não mostraste no ensino médio, que diabos?!

Vou sentir falta de ver a tatuagem do Zoso à mostra quando apontas pra algo, das batidas – que vão rareando na medida em que a turma é mais adiantada – amedrontadoras na mesa (ou no pobre quadro, coitadinho), das tuas piadas e sacadas que, pra mim, são muito engraçadas. As tuas broncas vão fazer falta! Aquela cara de bravo e tal, e eu tentando não rir e não olhar pra ti pra não te fazer rir... Vou sentir falta até dos odiosos slides!

É tanta, tanta coisa que eu guardo cá dentro e que queria dizer pra ti... Puxa, tu me inspiras mesmo! E não vai caber tudo aqui, eu simplesmente na consigo verbalizar.

Provavelmente já lestes coisas parecidas antes, mas eu queria muito, muito que tu soubestes que eu me sinto assim e que eu não vou me esquecer de ti. E que eu não pretendo parar de falar contigo só porque as aulas acabaram. E que eu vou continuar indo aos debates, caso eles persistam, mesmo que o horário da faculdade de história que, sinto muito, tens uma boa parcela de culpa por eu querer fazer, seja à tarde, e eu vou continuar disposta a te ouvir – seja no quesito aula ou noutro qualquer – e vou continuar dando meus ataques que já nem te surpreendem: de riso, de conversa, de grosseria. Todos esses.

Porque mesmo tendo um zibilhão de alunos tu consegues parar e olhar pra gente e dizer que estamos mal. Mesmo sendo uma chata que tava sempre falando horrores na tua aula, e fazendo piada e rindo e dando a impressão de que não prestava atenção, Deus, as tuas aulas eram as mais esperadas da semana! Com que amor tu falava pra gente. E como ficavas alegre quando aconteciam debates em sala de aula! Teu desprendimento do conhecimento é invejável, você distribui o seu por aí e fica feliz com isso.

Eu espero sinceramente que mais “alguéns” encontrem em ti a mesma inspiração que eu encontrei, que as pessoas possam cada vez mais reconhecer o brilhante professor que és e o grande amigo que podes te tornar. Muito obrigada por tudo aquilo que já fizeste por mim e pelo meu conhecimento, pelo que sou e pelo que vou ser.

Desejo um dia poder retribuir tudo isso. Quero um dia ser capaz de inspirar pessoas da mesma forma como fazes. Se um dia eu for metade do que tu és como professor, terá sido uma vitória imensa.

Um grande abraço (bem espalhafatoso) da

Ana.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Equívocos

Com impulsos de gritar,
rasgo minha garganta e minh'alma num urro.
Vem do fundo de meu ventre
e transpassa o teto de meu quarto.

Numa alucinação motivada por minha loucura,
vejo meu grito tomar a forma de um cometa,
alçando aos céus até as estrelas
e indo cair na tua casa.

E tu tentas tapar teus ouvidos
pra tudo que quero dizer-te,
e mesmo que o faças não conseguirás conter
meu fluxo de informações que te agride

Faz-te sangrar e te corrói.
Faz com que teus dedos doam de frio.
Faz com que eu sinta essa dor lascinante no peito
que me dá vontade de gritar e chorar.

E no entanto eu não faço nada disso
Passado o devaneio eu estou apenas sentada.
Passada a loucura estou apenas apaixonada.
Passada a paixão eu estava apenas errada.