sábado, 24 de julho de 2010

Coisas velhas

Eu não tenho mais medo de admitir. Acho que isso não muda nada. Até porque isso nem me dói mais...

Terceira Casa

Desvendando teus enigmas,
compenetrada em teus traços,
perdidamente apaixonada,
profundamente insatisfeita.

O que queres aqui, ó, moreno lindo?
Arrastas tudo o que tenho com tua dor.
Daria tudo para não ter que ver isso de novo.

Tem dias que não leio teus pensamentos.
Há meses tua irregularidade acentuou-se,
e é aí que eu danço a tua dança
tu o metrônomo, eu a bailarina.

És compasso composto;
minhas mãos quase não acompanham o ritmo.
És composição complexa e impactante.

Há aquelas frases em que meus dedos escorregam
frágeis, vacilantes, débeis, fantasmas pelas teclas.
Não sei em que tom estou tocando,
e quase me perco em ti.

Então tua expressão muda,
as notas ficam mais suaves,
soam mais precisas, mas não em staccato.

Tu te viras em minha direção
e então eu sei o que vai acontecer.
Seguras minhas mãos,
depois, pousa as tuas em meu rosto.

É aí que me confundo.
É quando a noite me faz pensar e imaginar
é quando as cartas falam de um futuro cheio de amor.

Mas no outro dia, moreno, tu mudas novamente,
e é quando eu quase morro;
é quando eu sinto as lágrimas ardrem em meus olhos;
é quando eu ponho minha máscara e finjo, sem sucesso, não ligar.

Por que me testas, anjo, meu "anjo da música"?
Sou eu, afinal, como todos os outros seres,
aqueles que se apaixonam por ti e tu nem te importas?

Sinto-me como a menina ludibriada pelo lobo.
Sinto-me como a bailarina enfeitiçada pelo fantasma.
Sinto-me a rainha que sucumbe à conquista do cavaleiro.
Sou a Julieta que cai pelo Don Juan, achando que ele é Romeu.

Vai, vai embora. Sei que voltarás à mim.
Velarei tudo que for teu que permanecer comigo;
velarei tudo aquilo que permanecer de teu em mim.
Velarei a mim mesma, moreno.

E então serei teu anjo, sendo que tu nem perceberás.
Tuas paixões em meus ouvidos me fazendo sangrar
Tenho de ti o que queres me dar. Um dia isso bastará.

Êêê, lapsos momentâneos dos quais me arrependo em cinco minutos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

#postssemtitulo

E teus olhos me perseguem, como as contas negras de um rosário satânico, lembrando-me sempre de tua presença maligna. E muito embora tristes, essas contas muito negras e muito brilhantes são, às vezes, minha única alegria. Ter o teu olhar sobre mim, meu único consolo nestes dias tão frios.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Feiticeira em fúria #rascunhos

Com todas as estações eu rogo
Que você permaneça em inverno longo,
negro, frio e vazio.
Mil anos são suficientes, eu creio.
Você não sabe como é ser
eu.

Medo de ti

O que essa menina sente?
O quanto ela mente?
O que ela esconde?
O olhar dela deve dizer onde.

Tu olhas para mim
como se estivesse confuso.
Como se defendendo de farpas
que eu possa soltar.
Mas também eu
tenho medo de ti.

Canção mais Triste

minha canção mais triste
cantada apenas com as barras
das rimas mais frágeis
dos sentimentos mais simples
dos fios mais finos

minha canção mais triste
arrebenta rápido
é cantada sem pressa
e sussurrada em teus ouvidos

na minha canção mais triste
eu vivo, respiro e sonho ao teu redor
envolta em meus véus de pureza.
frieza, dor e tristeza

na minha canção mais triste
eu morro pelos refrões mais toscos
me desfaço em compassos intermináveis
dando voltas em torno de ti

minha canção mais triste
fica balançando entre dois extremos
pendurada pelo fino fio
da teia de meus pensamentos ardilosos
em torno daquilo que mais amo

na minha canção mais triste
fica constatado o fato
de que o cristal espelhado do pêndulo
que um dia hipnotizou a nós todos
quebrou-se em mil pedaços
e que meu reflexo não se vê

na minha canção mais triste
eu sou, de fato, um espectro
rondando toda a cidade
subindo todas as escadas

atravessando todas as pontes
fechando todas as portas
caindo depois de segurar o fio
a teia que nos prende, ligados.