segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Jogo do Ar

 O poema a seguir é um jogo de palavras bobinho que eu fiz há muito tempo, algumas semanas depois da formatura da 8ª série. Espero que gostem.



Vazia como teu quarto, teu espaço, tua mente
Coração, alma, ouvido, audição, cérebro, um nada

Esperando areia, vento, brisa do mar
Leve soprar do outono, ver o tempo passar
Num instante declina, decifra o teu olhar
Muda, gera, cresce, brilha
Vê a chama acesa apagar

Viaja para perto dele, colina, verde, amar.
Voa como pluma, bate como água
Fere como pedra, queima feito fogo

Volta para a festa, tempo que vai passar
Olha, escuta, dança, sente
Beijo não quer beijar
Língua, lábio, dente, sorriso
Braço que quer abraçar, falar

Quer enlaçar de pernas, braços, traços, sem pensar
Murmúrio não é segredo, é sopro, é quase apaixonar

Vem da língua para o ouvido, envolvente toque, sussurrar
as palavras saem roucas, elas não querem falar
cabelos esvoaçam, roupas, panos a balançar
par de olhos, três segundos, uns instantes, olhar com olhar
olha o lado, fala algo, some sem respirar

ar não há, flutua leve, olhos ao longe
dois pares de olhos amigos, saem para falar
ao longe sai às pressas, não quer mais ficar

um suspiro, rosto alegre pelo que acabou de escutar
duas almas com tudo que pode ser dito
duas almas com nada do que deve ser feito

agora, vazia como o quarto, coração sem palpitar
peito que não movimenta, pulmão sem respirar
ar falta, não importa, já não quer mais levantar

deitada em sua cama, espera o tempo passar
noite, estrela, brilha lua, alma cansada de esperar.
Tenta viajar até ele, distante, só vê o mar
Castelo, longe, colina; é onde quer estar.

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